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Atacarejo: onde o atacado e o varejo se encontram

Abstract blur shopping mall and supermarket interior for background

Tudo começou na Alemanha em 1964 e chegou ao ponto alto em 1970, nos Estados Unidos, através do poderoso Walmart. São os conhecidos atacarejos que unem atacado e varejo sob a promessa de preços mais baixos. No Brasil, este formato de negócio chegou em 1972 com a Rede Makro. Desde então, o atacarejo só fez crescer a passos largos. Avançou 26,7% em 2020, no auge da pandemia, período em que os supermercados e hipermercados cresceram menos de 13%, segundo estudo da Nielsen IQ encomendado pela Associação Brasileira dos Atacadistas e Autosserviço (ABAAS). Em 2021, o crescimento foi de 22% somente no primeiro trimestre e a expectativa é de manter tal performance.


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Conforme a ABBAS, mais de 860 mil famílias fazem compras em atacarejos, onde, em média, os preços podem ficar até15% menores. Não por outra razão, as grandes redes tratam de criar seus atacarejos, que já somam 151 grupos varejistas no Brasil, respondendo por um faturamento anual de R$ 130 bilhões.

No Nordeste – e no Ceará – não foi diferente. Pelo olhar da Fecomércio-CE, esta é uma tendência de consumo que já vinha crescendo e que ganhou força com a volta da inflação e da pandemia, que intensificou o hábito da alimentação em casa. Preços mais atrativos, facilidades na compra, comodidade e a disponibilidade de um enorme portfólio de produtos num só lugar explicam o sucesso dos atacarejos.

“Acreditamos que esse resultado vem da facilidade que o atacarejo oferece na hora da compra, além do preço e outras vantagens”, explica Cláudia Brilhante, diretora Institucional da Fecomércio-CE.Ela diz queo sistema é também vantajoso para os operadores porque os tíquetes maiores compensam a margem menor de lucro. E alerta que o fato exige cada vez mais programas de relacionamento e de fidelização dos clientes, sejam pessoas físicas ou jurídicas.

Outra observação feita pela Fecomércio para explicar o avanço dos atacarejos foi o fato de os consumidores terem aumentado o número de idas às compras e também pela maior seletividade em busca de promoções e alternativas com a aquisição de lotes maiores, típicos deste tipo de comércio. “Mas convém saber que o movimento é conjuntural e na medida em que o mercado de trabalho retome seu curso com contratações mais robustas é provável que o consumidor volte ao seu comportamento usual, com clara vantagem para o varejo tradicional, o supermercado, que alia praticidade e conveniência”, comenta Cláudia Brilhante.

O fato se confirma no ranking ABRAS 2021. Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados, Márcio Milan, o canal mais expressivo de vendas, em número de unidades, continua sendo o tradicional supermercado com 2.572 estabelecimentos, seguido das lojas de conveniência (2.000 pontos) e do atacarejo com 682 unidades em operação, praticamente o dobro do levantamento referente ao ano anterior quando tinha 357 unidades. Pelo mesmo estudo, em alocação da receita, o negócio Atacado respondeu por 33,5% em 2021.

Dados da Nielsen IQ mostram que nos atacarejos a cesta de consumo registrou queda de -9,8% no volume total em 2021 e nas cestas de bens não duráveis a única variação positiva em volume foi em perecíveis frescos com alta de 0,8%. Mas quando consideradas as vendas em valor, o atacarejo, mais uma vez, foi o canal do varejo alimentar com o melhor desempenho, favorecido pelo atributo preço e pelo aumento nas compras de abastecimento em 2021. As vendas neste formato de loja saltaram 15,8%.

Para Milan, os atacarejos vinham crescendo antes mesmo da pandemia, que intensificou o avanço de todos os formatos de mercados no abastecimento dos lares, fazendo com que as vendas em lojas físicas fossem conciliadas com canais on-line, seja por meio de sites próprios, plataformas de e-commerce, aplicativos, redes sociais, WhatsApp ou telefone. “O setor tem aprendido cada vez mais sobre como lidar com cada um desses canais de venda — ou multicanais — e, principalmente, entender como satisfazer às diferentes necessidades do consumidor a partir de cada canal de comercialização”, comenta ele.

Maiores canais de vendas – Nº lojas

Supermercados…………..2.572

Conveniência………………2.000

Atacarejo……………………..682

Vizinhança…………………..289

Hipermercados…………..188

Fonte: ABRAS/Nielsen IQ

Como funciona – Não há segredos. Basta saber que ao comprar diretamente no estoque do atacadista, o cliente usufrui dos custos menores de armazenagem e distribuição. São estruturas de pavilhões/armazéns, em geral localizados nas periferias das cidades, cujo aluguel também é menor, o que permite ao operador manter a margem de lucro mesmo praticando um preço final menor. Qual a desvantagem? O portfólio de marcas é limitado e não há serviços de empacotamento e suporte ao cliente. Em tempos críticos, o preço menor se sobrepõe ao conforto.

Da lanchonete ao atacarejo

De uma pequena lanchonete no final da passarela da Rua Marcelino Ramos, em Concórdia (SC), em 1986, o Grupo Passarela evoluiu para o seu primeiro supermercado, em 1990, marcando uma trajetória bem-sucedida. Nasceram outras lojas, na ocasião na cidade de Herval d’Oeste e assim por diante, chegando ao complexo de compras Via Passarela, em Erechim, do Rio Grande do Sul, chegando ao Via Atacadista, presente nas cidades catarinenses de Caçador, Videira, Curitibanos, Canoinhas e Chapecó. Depois vieram as lojas de Bento Gonçalves e Farroupilha, na serra gaúcha, com um mix de mais de 10 mil itens e 1.800 funcionários entre as redes Passarela, Via Atacadista, Centro de Distribuição e Central de Produção e Panificação.

 A maior rede de atacarejo do grande oeste catarinense possui um plano ousado de expansão nos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, prometendo inaugurar novas lojas neste ano. Conforme o diretor-presidente Alexandre Simioni,o Grupo Passarela tem apostado em grandes projetos. Especifica que em seu histórico “valoriza a ousadia, a coragem e a determinação, com um modelo de negócios que atende demandas do varejo e atacado nos mais diferentes setores para atender as famílias e os comerciantes”.

Outro atacarejo já disseminado no Brasil pertence ao Carrefour desde 2007. O Atacadão está presente em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal com 30 centros de distribuição e 240 lojas de autosserviço, duas delas no Ceará (Tianguá e Sobral). O modelo rompeu fronteiras e também está na Colômbia, Argentina, Marrocos, Romênia e Espanha, em alguns países com outras marcas como Maxi e Supeco.

Do Grupo Mateus, outro atacadista que cresceu bastante foi o Mix Atacarejo, que abastece os principais varejistas do Norte e Nordeste com 20 mil itens. Para isso, mantém cinco Centros de Distribuição no Maranhão, Pará e Piauí. E, com quase 2.000 representantes autônomos, atende 590 cidades nos estados do Maranhão, Pará, Piauí, Tocantins, Bahia e Ceará.

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