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Curiosidade dos funcionários começa a ganhar espaço nas empresas brasileiras

A curiosidade como diferencial na alavancagem de negócios está deixando de ser um conceito, ainda que lentamente, para ganhar a prática dentro das empresas brasileiras, gerando maior eficiência e produtividade, colaboração, engajamento e satisfação profissional pela ideia valorizada. Trata-se de um desafio para o mundo corporativo, que precisa aprender a lidar com isto e ter este olhar já no recrutamento. Também é desafiador para os profissionais, que terão que mostrar esta habilidade nas suas rotinas de trabalho.


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Pelo menos é o que garante a articuladora da Escola de Conhecimento do Sebrae-CE, Mônica Arruda. Seu pensamento está alinhado com os resultados da recente pesquisa Curiosidade no Trabalho feita pela Analytics Software & Solutions (SAS), mostrando a repercussão deste atributo na geração de negócios e que apontou que 72% dos gestores globais acreditam que a curiosidade seja uma característica muito valiosa a quem está empregado ou busca uma colocação.

A SAS, que há 40 anos transforma dados em inteligência nos 140 países e mais de 70 mil empresas onde atua, atestou que o Brasil despertou para esta realidade liderando ações formais para incentivar a curiosidade. No total, foram entrevistados 2.000 gestores em todo o mundo, 304 deles no Brasil. Destes, 82% garantiram investir em treinamento e desenvolvimento de funcionários curiosos, contra 71% dos demais entrevistados globalmente.

Para Mônica Arruda, o Brasil ingressou nesse movimento, mas muito embrionariamente, tendo um longo caminho a percorrer. “O velho perfil de empresa tradicional ainda predomina”, diz ela, ao acrescentar que as primeiras gerações de empresas, especialmente as que fizeram a sucessão, já perceberam que os chamados “nativos digitais” querem agilidade na escolha, na aquisição, na forma de pagamento e na entrega de produtos e/ou serviços. E que para atender este cliente, que tende a ser preponderante, precisa ter gente pensando igual do lado de dentro do balcão ou dos portões das fábricas.

Para que haja avanços, antes de mais nada, é preciso ter uma estratégia voltada à transformação, recrutando colaboradores com novas competências como a da curiosidade, base para a inovação e que, inclusive, merece ser incentivada em cima de resultados obtidos.

– Não basta mais ter pleno conhecimento e o domínio da respectiva área. É preciso saber o que se passa fora da empresa, sair do quadrado e buscar soluções criativas, explica a articuladora do Sebrae-CE, lembrando que há metodologias ágeis capazes de queimar etapas e levar a empresa para o ecossistema da inovação que a colocará no trilho do crescimento.

Iniciativas criativas

A proliferação das startups serviu para acelerar o processo de inovação nas empresas brasileiras dentro do princípio defendido pelos mais arrojados de que é melhor errar e consertar rapidamente do que perder mercado testando e demorando para lançar um produto/serviço.

Embora a curiosidade independa do porte da empresa, especialistas atribuem às estruturas menores das startups a motivação para romper paradigmas nas empresas maiores e tradicionais, que passaram a vê-las com outros olhos.

Uma boa referência do quanto uma grande empresa pode e deve impulsionar as pequenas e criativas iniciativas empreendedoras vem da Empresas Randon, de Caxias do Sul (RS). A Conexo, plataforma de inovação aberta da Companhia fabricante de soluções em transporte de carga, completa um ano com mais de 50 projetos desenvolvidos.

Trata-se de programas que reuniram cerca de 200 participantes e conexão com pelo menos 70 startups. “Pensada com o propósito de ser um espaço de cocriação, de cooperação e de aprendizagem de novas habilidades técnicas e comportamentais, a empresa desenvolveu projetos e compartilhamento de conhecimento, como o Palco Conexo, a ExO, o Start, Programa de Intraempreendorismo, e o Startup Creator’”, explicou a diretora da Conexo, Veridiana Sonego.

Na ponta do varejo, o exemplo consolidado vem da Magazine Luiza. Na contramão de tantas redes tradicionais que fecharam as portas, fez a sua verdadeira revolução interna, muito antes da pandemia e tratou de oferecer a comodidade que o consumidor esperava. Para alcançar seu propósito, adotou o modelo de múltiplos canais de venda a ponto de ser classificada como a Amazon brasileira e, solidariamente, abriu espaço inclusive para pequenas empresas ainda despreparadas para entrar diretamente no e-commerce.

Como incentivar a curiosidade?

Na Intellectual Ventures, que produz invenções, compra e licencia patentes, regularmente há reuniões de pessoas de diferentes disciplinas e de variados níveis de conhecimento para discutir potenciais soluções de problemas complexos. Cada um com o olhar da sua realidade apresenta sugestões. Igualmente na Toyota, os funcionários são motivados a questionar em cima de problemas da organização e a palavra-chave é buscar respostas aos porquês. A resposta é seguida de outra pergunta: “por quê é desta forma?” e assim sucessivamente, até completar cinco questionamentos.

No Brasil, embora as lideranças empresariais concordem que um colaborador curioso pode trazer bons resultados, na prática, ainda falta mostrar claramente a disposição de abrir espaço aos criativos. Pesquisas e especialistas apontam alguns caminhos para que os gestores abram a porta da curiosidade:
– Abrir espaço para a criação em todos os níveis
– Incentivar para as mudanças no que já existe
– Mostrar que o risco faz parte da iniciativa
– Deixar claro que não tem medo de perder poder
– Esclarecer que não há perguntas indiscretas
– Priorizar menos as metas de desempenho e mais de aprendizado

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