Devido ao seu cenário favorável ao empreendedorismo e à abertura de negócios, o Ceará tem vivenciado uma expansão de serviços financeiros, com a abertura de startups e a ampliação de atividades de bancos tradicionais. (Foto: Freepik)

Empresas do setor financeiro investem em serviços no Ceará

Por: Raul Galhardi | Em:
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Devido ao seu cenário favorável ao empreendedorismo e à abertura de negócios, o Ceará tem vivenciado uma expansão de serviços financeiros, com a abertura de startups e a ampliação de atividades de bancos tradicionais.


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Uma fintech cearense que iniciou recentemente suas atividades foi o Mêntore Bank, do Hub Mêntore Consultoria e Gestão. A plataforma digital pretende concorrer com grandes bancos oferecendo uma série de produtos e serviços para monetizar o sistema financeiro corporativo do Nordeste e ampliar a oferta de crédito, estimulando novos negócios e fomentando o desenvolvimento regional.

“Há quase uma década estamos trabalhando a tecnologia desse banco, costurando também a parte jurídica e realizando testes. O banco chega em meio a um cenário econômico que precisa de injeção de capital de giro para continuar fluindo”, afirma o fundador e CEO do Banco, Vanderson Aquino.

De acordo com CEO, hoje muitas organizações fecham as portas por falta de capital de giro. “A injeção desse tipo de capital é ideal não só para fomentar novos negócios, mas para dar sobrevida às empresas e garantir que elas não fechem e tenham sustentação”.

Entre os serviços da empresa estão gestão de folha de pagamentos; antecipação de recebíveis; gestão de contas a receber; consignado privado; crédito rotativo; “Hot Money”; crédito para pessoa jurídica e física; além de consórcios, empréstimos e seguros.

“Sendo totalmente digital e gratuito, o Mêntore Bank surge com a proposta de ampliar a oferta de crédito para os empresários e trazer ganhos financeiros que estavam nas mãos dos grandes bancos para o caixa da corporação, transformando os custos com folhas de pagamento recebíveis em crédito possibilitando assim o fomento dos negócios. O banco deve ajudar a transformar o que era tido como despesas em ganhos para as empresas e pessoas físicas”, explica Aquino.

O Mêntore Bank iniciou as operações com 50 mil contas digitais ativas. Em seu plano de expansão até 2022, o banco busca atuar em outros estados do Nordeste, como Piauí, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte, além de São Paulo.

Santander expande atividades no Ceará

O banco Santander é outra instituição financeira que está apostando no Ceará ao expandir suas atividades no estado abrindo em Tauá a sua 42ª agência, a primeira da cidade. O município é apontado como o maior criador de ovinos e caprinos do Ceará, respondendo por cerca de 35% da oferta desses animais, e uma das referências da região nordeste nesse segmento.

“A criação e o consumo de derivados da produção de ovinos e caprinos é uma cultura bastante característica do nosso interior do Nordeste. É um privilégio para o Santander chegar a uma cidade referência no assunto no Ceará, estado no qual estamos em franca expansão da nossa rede e encerraremos 2021 com um crescimento de 84,6% de abertura de agências em relação a dezembro de 2019”, destaca Paulo César de Lima Alves, superintendente executivo da Rede Norte do Santander Brasil

Além do crescente protagonismo da indústria da ovinocaprinocultura, outras atividades têm um papel importante na cadeia produtiva de Tauá. O comércio e o setor de serviços, além da agricultura, com plantações de milho, feijão e diversas hortaliças, são exemplos. Outro segmento que vem puxando o PIB do município, com geração de emprego e renda, é a indústria de calçados

Segundo a sua assessoria de imprensa, o Santander tem investido no Ceará por se tratar de uma região com grande dinamismo, economia vibrante e população empreendedora. Atualmente, o banco possui uma carteira ativa com mais de quatro milhões de clientes no estado.

“Nossos produtos e serviços se encaixam com os perfis mais distintos de clientes. Para os pequenos empreendedores, há uma equipe do Prospera Microfinanças, que vai ofertar microcrédito, maquininha, seguro e orientação na gestão de negócios e identificação de oportunidades”, diz Paulo César.

O CDC Solar, linha de crédito que financia a compra de equipamentos para geração de energia fotovoltaica para pessoas físicas, empresas e propriedades rurais, é outra oferta que vem ganhando apelo junto às empresas e consumidores residenciais, devido à possibilidade de redução de custos com energia elétrica a curto e médio prazo. “Ela pode ser usada na compra e instalação de equipamentos fotovoltaicos e financia até 100% do valor do bem e da sua instalação”, afirma o banco, que pretende fechar o ano de 2021 com 48 agências no Ceará.

Outro investimento recente no estado envolve a compra da fintech cearense Mobills, responsável por diversos aplicativos financeiros. O principal deles é o app homônimo que é considerado o maior e mais bem avaliado aplicativo para planejamento financeiro do país, com 10 milhões de downloads, sendo o único no segmento com o selo de qualidade “editors choice” do Google.

IPO de fintechs

2021 foi o ano dos IPOs (“Initial Public Offering”, em inglês) brasileiros, período em que ocorreu recorde de investimento em empresas e startups. Ainda em agosto, as ofertas públicas iniciais de ações de organizações brasileiras já haviam levantado mais de R$ 57 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg, o que significa um aumento de mais de 400% em relação ao mesmo período de 2020.

O número em 2021 supera o recorde anterior de R$ 53,6 bilhões em 2007, quando 60 empresas abriram o capital. Esse fato foi possível devido ao cenário brasileiro de juros baixos, que levou os investidores a alternativas mais arriscadas em busca de maior retorno. No entanto, com os recentes aumentos de juros e as eleições de 2022 se aproximando, não é possível saber se esse cenário se manterá já que a volatilidade do mercado tende a aumentar.

O economista Alcântara Macedo acredita que o atual panorama não terá alterações. “É evidente que, com o aumento da taxa de juros, vai diminuir um pouco essa tendência de IPOs de empresas brasileiras porque parte dos investidores já conhecem o funcionamento da renda fixa, que tem resultados mais previsíveis. No entanto, no meu entendimento, as ofertas públicas iniciais continuarão porque estamos em uma nova realidade e a economia brasileira é robusta, apesar das crises conjunturais pelas quais está passando. É salutar que os IPOs ocorram porque ao invés das empresas ficarem endividadas e repassarem as dívidas para os preços, elas ficam capitalizadas”, defende.

Uma fintech que realizará em breve seu IPO é o Nubank. O banco digital listará suas ações na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) e, simultaneamente, lançará BDRs (“Brazil Depositary Receipts”, em inglês) ou “recibos de depósito brasileiros” na bolsa de valores brasileira (B3). A estreia da empresa nas bolsas está prevista para 9 de dezembro, mas seus clientes já podem reservar BDRs em sua plataforma e app. Com a oferta, o Nubank espera captar entre US$ 2,3 bilhões e US$ 3,4 bilhões.

De acordo com o economista, a proliferação de fintechs é boa para a economia brasileira e o mercado financeiro vivencia um ponto de inflexão marcado por mudanças constantes diante de uma realidade dinâmica. “As fintechs, de maneira geral, são realidades que chegaram para ficar. Elas customizarão a economia e são alternativas que pressionam os bancos e o sistema financeiro a baixarem os custos de manutenção de contas”.

Questionada sobre esse cenário atual brasileiro marcado pelo surgimento de startups financeiras que competirão com bancos mais tradicionais, a assessoria de imprensa do Santander afirma que a competição é positiva para o setor e permite que que todos os “players” construam uma operação mais eficiente e alinhada com as necessidades dos clientes.

“As receitas do Santander crescem de forma sustentável, assim como nossa rentabilidade, hoje em seu melhor nível histórico. O portfólio de produtos oferecidos pelo Banco e pelas empresas coligadas é amplo e relevante para qualquer perfil de consumidor”, afirma a instituição.

“Os bancos tradicionais terão que se adaptar e possuem meios de fazer isso, porque já possuem estrutura montada e uma realidade operacional com uma fatia de mercado. Acredito até que os maiores bancos se adaptarão mais rapidamente porque, apesar dos seus tamanhos e da dificuldade de mobilidade, eles possuem mais fôlego que bancos menores”, analisa Macedo.

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