O barateamento das energias renováveis associado aos avanços tecnológicos estão provocando uma verdadeira revolução energética. Os painéis solares e as turbinas eólicas ainda não são capazes de limpar todos os setores da economia. (Foto: Freepik)

Hidrogênio verde: o combustível do futuro

Por: Sara Café | Em:
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A nossa forma de vida precisa de cada vez mais watts para funcionar. As últimas estimativas da Agência Internacional da Energia (AIE), publicadas no final de 2019, projetam um aumento da demanda global de energia entre 25% e 30% até 2040 o que, em uma economia dependente do carvão e do petróleo, significaria mais CO2 e o agravamento das mudanças climáticas. 


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Porém, a descarbonização do planeta nos propõe um mundo diferente: mais acessível, eficiente, sustentável e movido por energias limpas. O barateamento das energias renováveis associado aos avanços tecnológicos estão provocando uma verdadeira revolução energética. Os painéis solares e as turbinas eólicas ainda não são capazes de limpar todos os setores da economia. 

É aí que entra o hidrogênio verde, que tem o potencial de reduzir a pegada de carbono de atividades críticas no que diz respeito a emissões, como transporte de carga e indústrias pesadas, além de ser uma alternativa sustentável, movimentando bilhões de dólares entre empresas consolidadas e startups que pretendem escalar a tecnologia.

A perspectiva foi apresentada durante o Seminário Internacional do Hidrogênio Verde no Ceará, evento promovido pelo Governo do Estado, Valor Econômico e a Editora Globo, que ocorreu na quinta-feira, 14, no Centro de Eventos do Ceará. 

O que é hidrogênio verde?

Esta tecnologia está baseada na geração de hidrogênio, um combustível universal, leve e muito reativo, por meio de um processo químico conhecido como eletrólise. Este método utiliza a corrente elétrica para separar o hidrogênio do oxigênio que existe na água. Por esta razão, se essa eletricidade for obtida de fontes renováveis, então será produzido energia sem emitir dióxido de carbono na atmosfera.

O diretor da Fortescue, Luis Viga, explica como é a produção do elemento: “Duas coisas são utilizadas para produzir hidrogênio verde: água e energia renovável (no caso do Brasil, a solar e a eólica). Então, os elementos combinados entre energia elétrica e a água, você separa o nitrogênio do oxigênio e produz hidrogênio a nível gasoso, depois transforma isso em amônia para transporte e exportação global”, explica. 

Esta maneira de conseguir hidrogênio verde, tal como indica a AIE, pouparia os 830 milhões de toneladas anuais de CO2 que se originam quando este gás é produzido por combustíveis fósseis. Da mesma forma, substituir todo o H2 cinza mundial significaria 3.000 TWh renováveis adicionais por ano.

O Governador do Ceará, Camila Santana, afirma que o hidrogênio verde é de grande relevância para o futuro do planeta: “O mundo todo debate a questão dos combustíveis renováveis, e temos pela frente uma nova alternativa para reduzir a emissão de gases poluentes no mundo todo, uma oportunidade gigantesca, que é o hidrogênio verde. Vamos aprofundar o tema, trazendo a importância das parcerias, da Academia, dos setores produtivos, para construirmos juntos o Hub de Hidrogênio Verde”. 

Hidrogênio verde e Meio ambiente

Para o embaixador da União Europeia, Ignácio Ybanez, o diálogo proposto colabora para uma pactuação e reflexão coletiva direcionada às mudanças climáticas e a proteção do meio ambiente.

“O momento não poderia ser mais propício em um super ano para o clima, com vista na COP 2026, em Glasgow, sobre mudanças climáticas, e na COP 2015, em Kunming, sobre biodiversidade. Os dois eventos vão ser uma oportunidade crucial para a comunidade internacional se juntar e assumir medidas concretas para conter as alterações climáticas. O Brasil e a União Europeia serão parceiros-chave para as negociação”

Ignácio Ybanez, embaixador da União Europeia

A primeira usina de energia eólica do Ceará foi implantada na Prainha, em Aquiraz. Atualmente, a capacidade de produção de energia eólica ajuda a mitigar a crise energética no Sudeste brasileiro. Nos últimos dez anos, o Estado criou uma ambiência extremamente importante e necessária para captar investimentos e investidores através de suas políticas públicas.

“As primeiras usinas eólica e solar do Brasil foram criadas no Ceará, portanto, o Estado tem sido pioneiro nessas questões de energias renováveis e alternativas para superar as questões ambientais. E o cearense é desbravador e gosta de desafios. Nós somos o Estado mais transparente e que mais investe no País”

Camila Santana, Governador do Ceará

A porta de entrada para o futuro

O território cearense, caracterizado pela boa localização, sol, vento forte e vasto litoral, cria um ambiente positivo para a consolidação de projetos inovadores, como o Hub de Hidrogênio Verde. Mas, além dos recursos naturais, o Estado também revela organização e capacidade de investimento para conduzir pesquisas científicas e políticas públicas que fomentem o desenvolvimento sustentável.

O Ceará é um dos protagonistas nesse contexto de descarbonização e digitalização da economia mundial, é o que acredita o embaixador da União Europeia. “O zero líquido (relacionado à emissão de dióxido de carbono) é uma oportunidade tão grande de transformação econômica tanto aqui no Brasil como ali, na União Europeia. E os estados como Ceará desempenham um papel importante fundamental na definição de suas próprias políticas de transição energética”, complementou Ybanez. 

Essas potencialidades se traduzem nas energias renováveis (eólica onshore, eólica offshore e fotovoltaica), na infraestrutura de logística do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), com a única Zona de Processamento de Exportação (ZPE) em funcionamento do Brasil, e na parceria com o Porto de Roterdã, o maior da Europa.

Além disso, o Ceará, que já é um hub aéreo, está se estruturando para ser um hub tecnológico. No estado, estão ancorados 16 cabos submarinos de fibra óptica, que conectam o Brasil, a partir de Fortaleza, com diversos países.

“Nós temos, no Complexo do Pecém, o porto de padrão internacional, que esse ano vai bater recorde de produção, e temos a única zona de processamento de exportação (ZPE) a operar no Brasil. Então, com todas essas vantagens competitivas, sol e vento o ano inteiro, um porto offshore, tudo isso faz com que o Estado do Ceará atraia empresas mundiais para a produção do hidrogênio verde.” afirma Danilo Serpa, diretor presidente do CIPP (ZPE) do Complexo do Pecém. 

Além das perspectivas revolucionárias na matriz energética, a implementação de usinas de hidrogênio verde no Ceará assumirá um papel social fundamental. O Estado projeta que o impacto econômico gerado pela fonte de energia limpa e renovável será fundamental no combate à desigualdade e na redução da pobreza. 

“Compreendemos que o hidrogênio verde pode ter um papel de transformar, do ponto de vista das mudanças climáticas e dos acordos internacionais, e contribuir para o planeta, mas também a nossa estratégia é de redução da pobreza. Porque, a partir do momento em que a gente cria uma estratégia de gerar energia solar lá no Interior, para que ele possa atender essa demanda da energia de hidrogênio, conseguimos desconcentrar e reduzir a pobreza”, justificou Camilo Santana.

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