O empresário também precisa fazer o dever de casa com relação às despesas, a fim de diminuir o desembolso. Deve verificar, assim, o que pode não só reduzir, mas também retirar, devido aos aumentos por conta da inflação. (Foto: Freepik)

Efeitos da inflação: saiba como diminuir os impactos sobre o seu negócio

Por: Anchieta Dantas Jr. | Em:
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A previsão de inflação para 2021 já está acima de 7%, segundo a pesquisa Focus, divulgada semanalmente pelo Banco Central, com base nas expectativas do mercado. Essa trajetória impacta, principalmente, as micros e pequenas empresas. Isto porque, com o aumento de preços nas contas de energia, combustíveis, alimentação e aluguéis, assim como da taxa de câmbio, que acabam influenciando nos preços das matérias-primas, aliados aos efeitos da pandemia e às sequenciais perdas de faturamento, os donos de pequenos negócios precisam de muita organização para diminuir os efeitos da inflação sobre as suas operações.


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Nesse sentido, apontam os especialistas, é preciso bastante jogo de cintura para negociar com fornecedores, controlar gastos e diminuir o repasse do aumento dos custos para seus clientes, os quais também sofrem com a alta de preços.

“É um problema que afeta a todos, não somente os empreendedores. Além de ficar muito atento a esses indicadores econômicos como a taxa de inflação, é recomendável ter um controle cuidadoso e detalhado sobre os gastos para saber de onde se pode diminuir custos, além de sempre procurar negociar”

Giovanni Beviláqua, analista de Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae

Ele também indica que os empreendedores coloquem os custos em ordem de prioridade. “A gestão financeira e o fluxo de caixa devem ser feitos com muita atenção. Isso ajudará o empreendedor a conhecer a sua real situação e a elaborar estratégias para evitar, quando possível, os repasses ao consumidor”, complementa.

Porém, nesse processo, aponta o consultor empresarial Kleber Leite, diretor da Bratt Consultoria, é preciso separar o que é custo e despesa. “O custo está ligado à venda. Ou seja, é o valor de aquisição dos produtos que revende ou das matérias-primas que se utiliza para produção, frete, tributos, comissões de vendas entre outros. Dessa forma, o empresário precisa ver o que ele pode fazer, internamente, para reduzir o custo da operação. Cito, por exemplo, procurar comprar mais barato, pesquisando outros fornecedores”, expõe.

Já a despesa, fala, “está relacionada à manutenção do negócio”. “Temos aí as contas de energia, material de escritório, de limpeza, aluguel, pró-labore dos sócios etc. O empresário também precisa fazer o dever de casa com relação às despesas, a fim de diminuir o desembolso. Deve verificar, assim, o que pode não só reduzir, mas também retirar, devido aos aumentos por conta da inflação. Desse modo, ele vai contribuir para continuar praticando os mesmos preços de venda de seus produtos e serviços no mercado. Aumentar preço, agora, é suicídio. É um risco muito grande de perda de faturamento”, justifica.

Ciclo financeiro da empresa: boa gestão pode mitigar os efeitos da inflação

Em outras palavras, destaca o economista Célio Fernando Melo, da BFA Assessoria em Finanças e Negócios, devemos olhar o chamado ciclo financeiro da empresa. 

“Do lado do ativo, nós temos as contas a receber e o estoque. Em relação à contas a receber, se você dá muito prazo para os seus clientes, obviamente você vai perder. É natural, porque, com o tempo, o poder aquisitivo daquele valor vai ser comido pela inflação. Já no que diz respeito aos estoques, temos um problema que é o custo de reposição. Se eu não tiver um volume de estoque adequado, sempre que eu tiver que comprar novamente, eu vou acabar tendo que repassar isso para os preços, o que não é bom. Isso faz com que a empresa perca clientes, pois a renda dos clientes não obedece a mesma trajetória dos aumentos desses preços”

Célio Fernando Melo, da BFA Assessoria em Finanças e Negócios

Nesse ponto, ele chama a atenção para a importância da gestão dos estoques. “A gestão dos estoques é muito importante. Embora não seja bom ter muito estoque, porque o custo de manutenção é caro. Entretanto, manter ou buscar um nível de estoques para que a empresa se proteja com relação às altas de preços de produtos e matérias-primas é fundamental para que ela possa ter preços competitivos junto aos seus clientes”, justifica.

Contudo, ressalva Leite, da Bratt Consultoria, é necessário ficar atento para a quantidade certa de estoque para se trabalhar a fim de não imobilizar mais capital do que o necessário.

“Minha sugestão é ter no máximo 45 dias de estoque dentro de casa. Isso dá uma boa margem de segurança no abastecimento”

Kleber Leite, diretor da Bratt Consultoria

Ao mesmo tempo, fechando o ciclo financeiro da empresa, é preciso olhar para o seu passivo. “Olhando para o passivo da empresa a gente fecha o ciclo financeiro, pois temos aí o contas a pagar. Nesse sentido, o empreendedor tem que buscar junto aos seus fornecedores mais prazo. Ou seja, ele, por um lado, tem que comprar mais estoques para se proteger da alta dos preços; e, por outro, buscar mais prazo, pois com mais prazo acaba não se onerando tanto os custos, enquanto as vendas vão acontecendo”, emenda Célio Fernando.

Ao passo que, lembra ele, não se pode esquecer, ainda, dos estoques que sofrem influência dos preços internacionais, que mexem com o câmbio. “Isso também afeta a gestão financeira da empresa com relação aos efeitos da inflação”, fala.

Por fim, emenda o economista, há também a despesa de folha de pagamento. “Nesse momento de inflação em alta, mais adiante, pode vir uma pressão para o aumento do custo com pessoal e contratos de prestação de serviços”, afirma.

“O fato é que quando se fala em combater os efeitos da inflação sobre as empresas estamos falando de uma boa gestão. Portanto, estar atento a esse ciclo financeiro é o básico que se deve fazer nesse momento”, conclui.

Negociação de dívidas é fundamental

Beviláqua, do Sebrae, recomenda também que após uma análise da situação da empresa, os empreendedores devem negociar dívidas, preços com fornecedores, aluguéis, taxas e financiamentos com instituições financeiras e o que mais pesar no orçamento da empresa. 

“As negociações são sempre boas práticas a serem realizadas, mas é importante deixar claro para as partes a real situação e, para isso, a qualidade das informações é muito importante. Todos estão sendo impactados com a alta de preços e isso ajuda no processo de negociação”, diz o analista. 

Outra dica, continua, é que os empreendedores fiquem atentos aos movimentos macroeconômicos, como o aumento da Selic, bem como as tendências do mercado, para que possam estimar mais adequadamente os custos, receitas no futuro e evitar o repasse de custos ao consumidor.

Ele também destaca que, nesse momento, as empresas devem analisar bem os investimentos que farão. “A economia ainda está se recuperando e os investimentos têm um prazo de maturação para que passem a dar retorno. Um cenário econômico incerto tende a deixar as pessoas receosas de empreenderem alguns investimentos e, por isso, é preciso avaliar bem e realizar ações bem planejadas”, pontua.

Aumento do giro é uma saída

Para o consultor Kleber Leite, outro ponto a ser considerado na hora de diminuir os efeitos da inflação sobre a empresa é traçar uma estratégia para torná-la mais conhecida no mercado e, consequentemente vender mais, aumentando, por sua vez, o giro do negócio. 

“Além de estar atento aos custos e despesas, o empreendedor deve procurar sempre aumentar o giro do seu negócio. Uma alternativa é elevar o mix de produtos com o intuito de vender para clientes que até então a empresa não atendia”, explica.

“Até porque, quanto mais uma empresa vende, aumentando a sua margem de contribuição, ou seja, a diferença entre o preço de venda e os custos, mais recursos ela vai ter para pagar pelas contas, tanto vencidas como a vencer”, afirma.

Reeducação financeira

Ainda de acordo com Leite, a reeducação financeira da empresa passa também pelo lado do empresário, o que implica no pró-labore.

“Os empresários muitas vezes avaliam as suas retiradas pelo faturamento. Mas isso não é correto. Primeiramente, ele tem que considerar todos os custos e despesas, para só então ver o que sobra para poder pensar na parte que lhe cabe. Para dar mais fôlego para a empresa nesse momento de dificuldades, o empreendedor também precisa de uma reeducação financeira pessoal, reduzindo as suas despesas para, assim, diminuir seu pró-labore e ajudar o seu negócio”, explana.

Resumindo, emenda o consultor, é preciso estar de olho na rentabilidade da empresa para definir as retiradas. “Isto nada mais é do que considerar o faturamento menos os custos, as despesas e os investimentos. Assim ele saberá com o que, de fato, terá disponível e até quanto poderá retirar. Portanto, a informação, nessa hora, é fundamental para a tomada de decisão”, afirma.

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