A expansão da matriz elétrica brasileira está muito ligada a necessidade de inovar e de se criar novas fontes, já que o país tem uma matriz de origem hidráulica (hidrelétrica) que engloba cerca de 60% do total. (Freepik)

Cresce matriz elétrica do Brasil e do Ceará

Por: Raul Galhardi | Em:
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Dados da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), divulgados no último mês, mostram que a matriz elétrica brasileira cresceu 407,23 MW em junho. Em 2021, o total da expansão soma 1.787,4 MW, sendo o Ceará responsável por 205,8 MW.


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Para Hanter Pessoa, diretor de Geração Distribuída do Sindienergia-CE, a expansão da matriz elétrica brasileira está muito ligada a necessidade de inovar e de se criar novas fontes, já que o país tem uma matriz de origem hidráulica (hidrelétrica) que engloba cerca de 60% do total.

“Como não se constrói uma hidrelétrica rapidamente, há uma necessidade de se abrir novas frentes e temos no Nordeste muitas condições de desenvolvermos energias renováveis, como a eólica e solar, abrindo espaço para novos investimentos no setor, tanto nacionais como estrangeiros”.

Hanter Pessoa, diretor de Geração Distribuída do Sindienergia-CE

O crescimento da matriz (oferta) visa, principalmente, atender ao crescimento do consumo de energia, que, por sua vez, reflete o crescimento da população e da atividade econômica, resultando em uma maior demanda por produtos e serviços que consomem eletricidade. O crescimento da demanda exige a ampliação da oferta a partir de novos empreendimentos de geração e de transmissão de energia. 

Esses investimentos são viabilizados a partir de estudos com olhar de longo prazo em razão dos tempos requeridos para sua implantação. Os Planos Decenais de Expansão de Energia (PDE), publicados anualmente pelo Ministério de Minas e Energia e EPE (Empresa de Pesquisa Energética), trazem um olhar sobre a necessidade de expansão da oferta de energia.

“O mercado se comporta racionalmente. Os investidores procuram um bom ambiente de negócios e recursos naturais (sol e vento). O Ceará tem características extraordinárias em termos de recursos naturais e uma configuração de linhas de transmissão muito bem fundamentada com boa capacidade de absorção de energia eólica e solar. Portanto, esse crescimento mostrado pela Aneel deverá continuar”

Adão Linhares, secretário executivo de Energia, Mineração e Telecomunicações do Ceará. 

Para Linhares, portanto, o estado continuará tendo esse aumento da matriz elétrica, seja pelos leilões, pelo mercado livre ou pela autoprodução de empresas. “Fortaleza é uma das cidades onde mais cresceu a utilização da geração distribuída de painéis fotovoltaicos, por exemplo. Essa tendência de crescimento é muito boa porque estamos descarbonizando e tornando nossa matriz toda renovável”. 

Energias renováveis 

As fontes renováveis (energia eólica, solar, hidrelétricas, incluindo Pequenas Centrais Hidrelétricas e biomassa) têm tido um papel importante na expansão do setor elétrico brasileiro. De acordo com informações da EPE, com exceção de 2020, desde 2014 elas têm sido responsáveis por mais de 90% da entrada em operação comercial em termos de potência instalada no setor.  

Além de seus benefícios ambientais, os custos dessas fontes caíram significativamente nos últimos anos, sendo as fontes eólica e solar fotovoltaica as que apresentaram os menores preços nos leilões de energia do ambiente regulado desde 2017, informa a EPE. Os preços competitivos também podem explicar o crescimento da contratação da fonte eólica no ambiente livre de comercialização. 

De acordo com dados da Aneel, a geração eólica obteve a maior entrada em operação comercial em junho, com 284,46 mW de potência instalada, cerca de 70% do total instalado no mês. Em 2021, 83% de toda a capacidade instalada liberada é de origem eólica. 

Em julho, ocorreu um pico de geração eólica instantânea no dia 12 às 9:28, alcançando 11.715 MW, o suficiente para abastecer todo o Nordeste com sobra (106,8% de toda a região) no minuto do recorde. De acordo com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), a energia eólica representa 10,7% da matriz elétrica brasileira e a expectativa é que chegue ao fim de 2025 atingindo 13,2%. 

“Com a diminuição dos valores para se instalar as usinas eólicas e solares, o mercado começou a enxergá-las como uma opção, principalmente para grandes empresas que, ao invés de comprarem energia de uma hidrelétrica, podem entrar no mercado livre, fechar contrato com uma eólica e comprar por um preço de 15% a 30% mais barato do que no mercado tradicional”, explica Pessoa. 

Para o secretário de Energia e Telecomunicações, a tendência é que Ceará priorize a geração eólica e solar e deixe em segundo plano a geração térmica por meio de carvão e gás natural. Porém, embora concorde que esses tipos de energias devam crescer no estado, o diretor do Sindienergia-CE afirma que para que isso ocorra de forma mais acentuada é preciso acontecer uma desburocratização.

“Se conseguirmos ter um licenciamento mais otimizado, é natural que o investimento venha para o estado. Outro fator relevante é a infraestrutura de linhas de transmissão”, analisa. 

“Estrategicamente, sob o ponto de vista de política de energia e desenvolvimento, a energia, especialmente a renovável, é um vetor de geração de emprego, renda e de desenvolvimento para o estado: quanto mais tivermos geração de energia renovável, mais aumentará o PIB do Ceará, devido à movimentação econômica gerada por ela, condição básica para o desenvolvimento”, afirma Linhares. 

Segundo o secretário, o Ceará ainda está distante da média nacional em termos de consumo per capita de energia, mas há potencial para que essa realidade mude. “Precisamos criar um ambiente para termos mais geração de energia, aumentar o consumo per capita de cada cearense de forma que se possa consumir mais energia para as suas necessidades, mas sem desperdiçar, fazendo com isso a roda da economia girar levantando a renda do estado e reduzindo a nossa situação crônica de pobreza”, conclui o secretário. 

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