O CHRONUS i-PassPort é um aplicativo que tem como objetivo ajudar a população no combate à pandemia por meio da junção do caderno de vacinação. (Foto: Freepik)

“Passaporte da vacina” pode contribuir para retorno de atividades econômicas

Por: Raul Galhardi | Em:
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A busca por soluções que permitam o retorno à normalidade tem sido uma máxima de governos e empresas desde o início da crise sanitária gerada pela Covid-19. Insere-se nessa discussão de caminhos para a retomada econômica o “passaporte da vacina”, que funcionaria como um cartão virtual permitindo pessoas acessarem locais mediante a certificação de que não apresentam perigo de contaminar outras com o Novo Coronavírus.


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Nesse contexto, o CHRONUS i-PassPort, solução criada por Everton Cruz, é um aplicativo que tem como objetivo ajudar a população e governos no combate à pandemia por meio da junção do caderno de vacinação com passaporte de viagens.

“Ele é uma carteira de vacinação digital que registra todas as vacinas que a pessoa tomar, mas, no momento, estamos focando na Covid-19”

Everton Cruz, criador do CHRONUS i-PassPort.

A solução certifica a condição saudável do cidadão e assegura a ele o exercício de suas atividades e o ingresso em ambientes controlados para evitar a infecção pelo Novo Coronavírus.

A ideia para elaborar esse aplicativo surgiu a partir da necessidade de viagens constantes a países da África como consultor para cidades inteligentes. “Toda vez que eu ia para esses locais, eu precisava apresentar o meu certificado de profilaxia internacional”.

O app funciona da seguinte forma: ao fecharem parcerias com a empresa, os governos enviam os dados de vacinação dos cidadãos para que ela certifique quem está habilitado a transitar sem riscos de infecção a outros. Caso determinada localidade não seja parceira, o próprio indivíduo pode criar um pré-cadastro no site enviando uma foto da sua carteira de vacinação para validação dos dados. Se as informações forem reais, em até dois dias a pessoa pode baixar o aplicativo e utilizá-lo.

A solução valida o status de infecção do indivíduo após o seu registro de vacinação ou a realização de teste de anticorpos fornecido por um médico ou instalação médica. Os status dos usuários são registrados em QR Codes, que, verificados através de escaneamento, liberam o acesso aos espaços daqueles que tiverem sido imunizados ou testados e atestados que não possuem a doença.

Empresas também podem adotar a solução para que seus funcionários e pessoas que transitam pelos seus ambientes tenham mais segurança. “Nós homologamos uma série de parceiros pelo país autorizados a realizar os testes para Covid-19, como o laboratório Fleury e farmácias (três mil têm autorização para realizar testes). Quando o resultado do teste é emitido, o indivíduo recebe uma notificação por SMS. Ao acessar o app com seu CPF e telefone, já aparecerá seu passaporte atualizado com o resultado”, diz Cruz. 

“Quando criamos as ‘bolhas de segurança’ com o aplicativo, identificamos as pessoas contaminadas para que elas fiquem isoladas em casa e, assim, destruam o vírus cortando sua propagação. Quando o vírus circula, ele infecta mais pessoas e cria variantes mais resistentes, adiando o fim da pandemia”, afirma.

Embora a patente do produto tenha sido solicitada no Brasil em 2013, foi apenas em 2020 que o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), órgão brasileiro responsável pelo registro de patentes, autorizou o seu registro. 

Acessibilidade

Apesar da maioria da população brasileira possuir smartphones, muitos ainda não possuem planos de dados móveis que permitem um grande volume de utilização de sites e apps. Em relação a essa questão, Cruz diz que está sendo feito um trabalho junto aos grupos de telefonia para que seja liberado gratuitamente o uso de dados para o app, já que ele constitui um serviço de utilidade pública.

“Hoje nós pretendemos ajudar os governos e por isso doamos a solução a cidades e estados no Brasil. No futuro, queremos ganhar dinheiro com o mercado privado. Ou conseguimos um patrocinador ou as próprias empresas financiam. Hoje nós bancamos os dados e para cada 100 mil usuários gastamos R$ 6 milhões”, explica.

Para ele, é necessária uma conscientização da população para que, desta forma, o Governo Federal compreenda a necessidade dessas ações de controle para o retorno mais rápido possível à normalidade.

Rastreamento e privacidade

O aplicativo possui também uma função de rastreamento que notifica o usuário caso ele tenha tido contato com alguém contaminado. “O usuário que tiver tido contato com alguém que apresentou um teste positivo para Coronavírus será informado desse contato, mas sem a identificação dessa pessoa contaminada”.

No Brasil, devido à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), o usuário pode desligar a função de rastreamento para notificação, ficando com o passaporte de vacinação virtual. Em países como Israel, onde a solução é usada em todo o país, essa função não pode ser ativada devido às legislações locais. 

“A principal função do app é identificar as pessoas testadas e vacinadas e, ao identificá-las, criar uma credencial de acesso. É uma identificação, mais do que a questão do rastreamento”, contextualiza Cruz. 

Os dados dos usuários ficam armazenados segundo a legislação local de cada país em servidores. “Para evitar vazamentos, realizamos uma série de auditorias nos servidores com parâmetros utilizados em todo o mundo. No Brasil, fomos contratados pelo segmento financeiro, que, inclusive, tem uma grande preocupação com segurança. E dia sim, dia não, eles pedem a realização de testes. Gastamos mais de 600 horas por mês com segurança da informação”. 

Parcerias e aplicações

O app pode ser utilizado em vários locais. Alguns deles são: prédios públicos, empresas, shoppings, restaurantes, fábricas, supermercados, universidades, escolas, aeroportos e eventos públicos ou privados. “Qualquer lugar que possuir condições de verificar a identidade e o status de saúde das pessoas pode utilizar a solução”.

Cruz relata que a empresa fez parceria com cidades do sul da França, do Vietnã e com o governo de Israel para validar a solução. No Brasil, alguns estados aderiram ao seu uso, como o Distrito Federal e Alagoas. Ele ainda cita algumas cidades como Guarujá, em São Paulo, e Afogados de Ingazeira no Pernambuco.

“Estamos conversando com o Sebrae para que a solução seja adotada em toda a sua rede nacional”, diz Cruz. Jonas Carlos Girão, advogado, profissional da área de patentes, marcas e negócios e sócio do Chronus i-PassPort, diz que a empresa fez parceria com o governo de São Paulo para a realização de um evento para duas mil pessoas. Além disso, ele aponta que estão ocorrendo conversas com o governo da Bahia.

A NFL, liga de futebol americano, utilizou o aplicativo para realizar a final do Super Bowl, evento que reuniu 25 mil pessoas. No Brasil, clubes de futebol também têm se interessado pelo app. “Todos os clubes da Série A do campeonato brasileiro concordam com a utilização do passaporte”, afirma Girão.

“No caso dos clubes, eles podem chamar suas torcidas que já tomaram a vacina para realizar os cadastros e colocar os dados no passaporte. Assim, verificamos com o SUS as informações e validamos os passaportes. Dessa forma, essas pessoas já podem voltar a frequentar estádios, shoppings e outros estabelecimentos que exigem a solução”, defende Cruz. 

Porém, a falta de preocupação com a saúde dos consumidores e cidadãos por parte de alguns empresários e grupos empresariais pode gerar obstáculos. O criador do i-PassPort conta que conversou com representantes de alguns shoppings nacionais e que não houve o interesse pelo app.

“Eles falaram que já tinham permissão para abrir e que mediam a temperatura das pessoas, mas eu disse que 60% dos doentes com Coronavírus são assintomáticos e que o termômetro não identifica isso. O que eles me disseram é que isso é um problema da pessoa e que eles precisam faturar”, relata.

Em relação ao futuro, há expectativa de que mais parcerias com a iniciativa privada sejam realizadas.

“Estramos tratando com muitos nichos de atividades. Temos procurado focar de uma forma estratégica para que isso gere uma propulsão de negócios na sequência. Tudo de forma muito estudada e respeitando as diferenças políticas, que são muito emergentes. Fazemos uma previsão de escalabilidade baseada nos relacionamentos que temos criado e que certamente abrirão portas para outras oportunidades”

Jonas Carlos Girão, advogado, profissional da área de patentes, marcas e negócios e sócio do Chronus i-PassPort.

“Acredito que a parte mais difícil no Brasil será comunicar de forma clara para a população que isso é uma carteira de vacinação digital. Precisamos informar que irá proteger a saúde dos outros e que isso reativará a economia”, reflete Cruz.

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