No acumulado de janeiro a maio de 2021, as exportações de móveis cresceram aproximadamente 112% (111,9%) em relação a igual período de 2020. Hoje, o Ceará é o 13º estado exportador de móveis do país. (Foto: Freepik)

Exportações de móveis crescem 112% e Ceará se destaca no Nordeste

Por: Anchieta Jr. | Em:
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O ano de 2021 começou com o pé direito para o setor moveleiro no Ceará. No acumulado do ano, ou seja, de janeiro a maio, as exportações de móveis cresceram aproximadamente 112% (111,9%) em relação a igual período de 2020. Foram US$ 265,71 mil em produtos comercializados no mercado internacional contra US$ 125,38 mil no ano que passou. E tem mais: esse crescimento foi o maior registrado entre todos os estados do Nordeste, contabilizando ainda quase o dobro da média nacional que ficou em 62,3% de crescimento no período. Hoje, o Ceará é o 13º estado exportador de móveis do país.


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“Quando fomos surpreendidos pela pandemia, em 2020, muitos setores tiveram queda tanto na produção quanto nas vendas, fossem elas nacionais ou internacionais. Só que na contramão desse cenário, as exportações de móveis no Ceará cresceram de forma bastante expressiva, puxadas principalmente pela desvalorização do real frente ao dólar, o que deixou os nossos preços bem mais competitivos e capazes de concorrer com os móveis asiáticos”, explica Karina Frota, gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN), da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

Além da questão cambial, emenda a executiva, a crise sanitária que assolou o mundo fez com que as pessoas, ao permanecerem mais em casa, passassem a cuidar melhor do local onde vivem, investindo no conforto e bem-estar. “Tanto o mercado interno quanto o externo apresentaram esse comportamento, o que trouxe excelente resultados em termos de vendas de móveis. Dessa forma, com o mercado aquecido, empresas que haviam suspendido as exportações voltaram a exportar. No início desse ano, elas só não venderam mais devido à falta de matéria-prima”, destaca.

No entanto, vale lembrar, avisa Karina, que o movimento exportador não acontece da noite para o dia. “Ele é fruto de um planejamento, tanto que este bom momento para o comércio internacional de móveis do Ceará começou a ser gestado há cerca de cinco anos”. “Foi um trabalho realizado junto com o setor, por meio do Sindicato das Indústrias do Mobiliário no Estado do Ceará (Sindmóveis), quando prospectamos destinos, identificamos demandas, capacitamos as empresas para exportar, o que envolveu a escolha de materiais, cores e design na fabricação, a fim de se adequarem ao mercado externo, assim como tratamos da formação de preços, logística, entre outros pontos importantes para o comércio exterior”, relata.

Por conta desse processo, acrescenta a gerente do CIN, as empresas que já haviam se preparado para exportar, e ainda não tinham começado, entraram de forma rápida, ajudadas pela variação cambial.

“Se o cenário continuar como está, nossa expectativa é de manter o ritmo das exportações de móveis no Ceará ao longo de 2021. Isto é importante para conquistar novos mercados e mostrar a qualidade dos nossos produtos, conseguindo manter, assim, uma exportação sustentável que é o nosso maior objetivo”.

Karina Frota, gerente do Centro Internacional de Negócios da Fiec

Dormitórios são destaque nas exportações

“Camas, cômodas, mesas de cabeceira e espelhos, que compõem a categoria chamada Dormitórios (móveis de madeira, do tipo utilizado em quartos de dormir), puxaram as exportações de móveis no Ceará no acumulado de 2021”, conta o presidente do Sindmóveis, Júnior Osterno.

De fato, conforme os dados do CIN, de janeiro a maio deste ano, as vendas externas da categoria saltaram de US$ 391, em igual período do ano passado, para US$ 137,5 mil, ou seja, um avanço de 35.067%. Em seguida, aparecem móveis para escritório, que não eram exportados em iguais meses de 2020, e registraram US$ 61,57 mil comercializados no acumulado de 2021 até maio.

“O nosso móvel é muito bem-produzido. Temos um excelente mix de materiais, entre madeira, compensados, MDF, assim como investimos no design. Aliado à qualidade que já é intrínseca para quem quer exportar, o dólar valorizado vem ajudando a aumentar as vendas, assim como o frete, que tem ficado mais barato do que o praticado pela China”.

Júnior Osterno, presidente do Sindmóveis

Ele afirma que um outro fator que deve impulsionar o setor ao longo dos próximos anos é a utilização de madeira de reflorestamento, plantada aqui no Ceará. De acordo com Osterno, este é um trabalho que foi desenvolvido pelo Sindmóveis, a Embrapa e a Fiec. “Atualmente, temos oito hectares plantados. Das 40 espécies de árvores testadas, escolhemos oito, com destaque para o eucalipto. Acredito que dentro de cinco anos, já teremos empresas de móveis se beneficiando com a matéria-prima local”, fala.

Principais mercados e municípios exportadores

Considerando o acumulado dos cinco primeiros meses de 2021, os principais países de destino para os móveis cearenses foram Porto Rico, com 52% de participação; seguido por Portugal (23%); Peru (7%); Estados Unidos (4%); e República Dominicana (3%), com os demais países totalizando 12% de participação no total vendido ao exterior.

Entretanto, explica o presidente do Sindmóveis, os Estados Unidos é um comprador recorrente, o que o coloca como nosso principal mercado de destino se consideramos a série histórica.

Já as principais municípios exportadores de móveis do Ceará são Marco, com US$ 137,5 mil exportados no acumulado de 2021 até maio; seguido de Fortaleza (US$ 95,6 mil); Sobral (US$ 54,99 mil); Quixeramobim (US$ 1,06 mil); e Maranguape (US$ 600).

Setor de móveis do Ceará em números

Segundo Júnior Osterno, o Sindmóveis tem cerca de 200 empresas produtoras cadastradas, sendo quatro delas concentrando a maior parte das exportações de móveis do Ceará, localizadas em Marco e Jaguaribe.

Em termo de geração de empregos, só o Polo de Marco, principal produtor do Estado, gera em torno de dois mil empregos diretos.

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