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Startup cearense é destaque em empreendedorismo feminino

Dados da Associação Brasileira de Startups (Abstartups) revelam que o ecossistema empreendedor e tecnológico cearense envolve mais de 100 startups, diversos coworkings e o segundo maior hub de telecomunicações do mundo. Além disso, de acordo com o mais recente mapeamento da entidade, das 15 comunidades de startups existentes no Nordeste, quatro se encontram no Ceará, o que o coloca como líder na região.


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Além da Rapadura Valley, de Fortaleza, existem as comunidades de Sobral, Quixadá e Juazeiro do Norte. Nesse contexto, dentre os negócios de destaque estão principalmente as edtechs, com duas startups que são referência no segmento no Brasil: a Arco Educação e a Agenda Edu. Porém, outra startup cearense começa a ganhar destaque a nível nacional. Desta vez, levando em conta negócios inovadores liderados por mulheres, sendo a única representante do Estado.

É o caso da PliQ, integrante do Rapadura Valley, que está entre as dez finalistas do Female Scale, processo de aceleração promovido pelo hub de inovação Distrito, com correalização da B2Mamy, plataforma de capacitação para o empoderamento do empreendedorismo feminino, em parceria com a Ambev, Marisa e Via.

Comandada pelos empreendedores cearenses Denise Barroso e César Rabelo, a empresa vem se destacando por ofertar ao mercado uma plataforma no formato SaaS (Software as a Service ou Software como Serviço, na tradução livre para o português), sendo pioneira no marketing de indicação com o diferencial de ter agregado o monitoramento da experiência do cliente.

“A PliQ tem como objetivo transformar experiências em vendas a partir da pesquisa, análise de dados e indicação, a fim de que as empresas possam entregar benefícios aos seus clientes por meio da nossa plataforma, que é totalmente customizável”, conta Rabelo. Para Denise Barroso, participar do Female Scale e estar entre as finalistas fortalece ainda mais a crença de que a dedicação e a parceria podem gerar resultados de sucesso.

“Todo o aprendizado durante o processo de seleção do Female Scale somou muito ao dia a dia da PliQ”.

Denise Barroso, cofundadora da PliQ

Rabelo explica que, nesse sentido, um dos pontos altos do processo foi o fato de que cada startup selecionada recebeu uma empresa-madrinha – no caso da PliQ, a Marisa, uma das patrocinadoras do programa de aceleração. “Essa aproximação foi importante na troca de experiências. Contamos com mentorias e capacitações semanais com nome de peso no mercado nacional”, destaca.

Além do que emenda o empreendedor, existe a questão da visibilidade, ou seja, a oportunidade de entrar em contato com grandes empresas, principalmente as que patrocinam a iniciativa.

“Ao passo que há também o apelo de que poucas startups no Brasil tem mulheres à frente e a PliQ ter sido selecionada nessa categoria traz visibilidade não só para a empresa, mas também para o ecossistema de inovação cearense, mostrando o poder das startups locais”.

César Rabelo, cofundador da PliQ

O processo seletivo do Female Scale era exclusivo para startups lideradas por CEO’s (diretora executiva) ou fundadoras mulheres de todo o Brasil. Das 394 inscritas, 50 foram selecionadas para um processo de aceleração de um mês e após passarem por uma banca com patrocinadores, dez passaram para a última fase chamada Traction.

Ecossistema estruturado

Para o consultor de gestão e inovação, Francisco Lima, todo esse reconhecimento que as startups cearenses vêm recebendo é fruto de um trabalho de base que vem sendo feito no Estado já há alguns anos no sentido de fomentar o investimento em tecnologia e a inovação.

“Alguns pontos foram e são importantes nessa trajetória: o movimento dentro das universidades e instituições técnicas de ensino, sejam públicas ou privadas, abordando o empreendedorismo e a inovação; as iniciativas de grupos empresariais cearenses como a Pague Menos, M. Dias Branco e Unimed, que vêm fomentando o ecossistema de inovação cearense por meio de investimentos e acelerações; e ainda o fato da qualidade do capital humano do Ceará, um estado que sempre valorizou a educação em sua essência, obtendo grandes resultados”, afirma.

Conforme disse, esse conjunto de fatores se refletiu na estruturação de um ecossistema de inovação estruturado no Ceará, embora que ainda em proporção diferente dos encontrados na região Sudeste.

“No entanto, os movimentos e as iniciativas aqui no Ceará são bem semelhantes. A conexão das startups com as instituições de ensino, por meio da pesquisa, traz um diferencial competitivo, ao passo que o apoio dos governos estadual e municipais ajudam a formatar esta aliança. Na verdade, aqui se faz muito com poucos recursos. Então, essa é a trajetória do Ceará, que segue na direção certa. Não é à toa o destaque na Abstartups de comunidades cearenses como o Rapadura Valley”.

Francisco Lima, consultor de gestão e inovação

Cenário promissor para as startups cearenses

Segundo Mário Alves, do Rapadura Valley e consultor da Indigital.lab, consultoria em transformação digital, nos últimos meses o mercado esteve agitado por investimentos no Ceará, a exemplo da plataforma Mercadapp (solução de marketplace em supermercado e farmácia delivery) e das iniciativas do Ninna Hub).

“Também vimos startups, juntamente com a PliQ, recebendo destaque em rede nacional, caso da Drive Social, realçada em quadro sobre aplicativos de mobilidade em matéria do Fantástico, da Rede Globo, e a Sunne, que foi selecionada para um programa internacional de startups, o Latitud Cohort; assim como a Agenda Edu e a Desenrolado, ambos premiadas pela consultoria global Great Place to Work pelo seu ambiente de trabalho”, destaca.

Esses reconhecimentos, afirma, são importantes e ajudam o ecossistema como um todo, ao facilitar a busca por referências de alguém que deu certo no mercado local com visibilidade nacional.

“Tudo isso é muito importante para aumentar a visibilidade das soluções desenvolvidas. Essa visibilidade facilita a venda de serviços e o interesse de pessoas em investir e trabalhar nas startups premiadas. Uma busca por uma startup premiada pode levar a conhecer outras startups locais, o que ajuda a cadeia de inovação como um todo”.

Mário Alves, consultor da Indigital.lab
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