Parceria entre Fiec e Ministério da Economia vai ajudar no projeto de redução do Custo Brasil. Até o final de 2021, redução potencial de R$ 800 bilhões é prevista para o País. (Foto: Freepik)

Redução do custo Brasil deve ampliar competitividade das empresas

Por: Maria Babini | Em:
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“Por que nós ainda não somos uma potência no Brasil?” foi o questionamento inicial de Jorge Luiz de Lima, titular da Secretaria do Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação da Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, durante a apresentação dos resultados do trabalho em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) para a redução do Custo Brasil, em evento realizado na quarta-feira, 28.


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O projeto apresentado tem a meta de reduzir R$ 1,5 trilhão de custos do Brasil em até 10 anos, valor que, segundo estimativas do Portal da Indústria, é retirado anualmente das empresas instaladas no País, pelo Custo Brasil. Esse número representa cerca de 20,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A redução potencial de R$ 800 bilhões até o final deste ano já deu seus primeiros passos a partir de 22 projetos que estão sendo avaliados no Congresso.

Jorge Luiz de Lima destaca ainda a importância de tratar as questões econômicas à parte das políticas, pensamento que foi reiterado pelo presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, ao citar a reunião com o governador Camilo Santana no dia anterior, 27. “Nós não discutimos se era estado, se era município ou se era União, estávamos discutindo um projeto de país. As pessoas precisam entender que a gente, infelizmente, tem eleição de dois em dois anos, e isso não pode atrapalhar o projeto econômico que temos nesse País”.

Uma das grandes funções do projeto apontada pelo secretário é movimentar o grupo empresarial, para incentivá-lo a participar da iniciativa com comprometimento e atitude, inclusive fazendo proposições.

“O Custo Brasil atinge indústria, comércio e serviço, seja na segurança jurídica, seja no crédito, seja na desburocratização. Porém, para cada um dos pilares, você precisa fazer o spin off para entender. A abertura comercial nossa deveria estar atrelada ao Custo Brasil. Tem que melhorar a competitividade nossa para disputar com os outros”

Jorge Luiz de Lima, secretário do Ministério da Economia

“Para falar de abertura comercial, é uma outra ponta que nós devemos tirar o Custo Brasil, especificamente, para olhar a indústria e cada segmento da indústria. Abrir a cadeia e ver onde nós temos que ser competitivos”, ele avalia. “Aí você tem a outra vertente do spin-off do Custo Brasil que é olhar o Custo Brasil regional. Mas nós não temos 27 estados: nós temos 27 países”, comentou o secretário em alusão às grandes diferenças regionais do País. “Não dá pra fazer política pública, e o Custo Brasil entra nessa, enquanto não se adentrar nos Estados”, pontua Jorge Luiz.

Parceria

A parceria entre o Ministério da Economia e a Fiec foi assinada em setembro do ano passado e deverá contribuir de forma efetiva para a redução do Custo Brasil. Guilherme Muchale, gerente do Observatório da Indústria da Fiec, cita como exemplo disso “a própria mensuração de projetos que hoje, muitas vezes, já existem, mas que ainda não possuem seu impacto estimado no Custo Brasil. E isso muitas vezes acaba reduzindo a prioridade desses projetos dentro da agenda legislativa”.

Além disso, Muchale cita os próprios mecanismos previstos na parceria que visam também ampliar a transparência e a participação tanto da sociedade, quanto do setor produtivo. “Uma metodologia de contribuições fará com que esse hall de projetos e iniciativas também se amplie”, destaca. Um outro eixo estratégico para ajudar na redução do Custo Brasil e fortalecer o desenvolvimento do País é a implantação do Centro de Inteligência do Custo Brasil. Esse ambiente permitirá o monitoramento de dados atualizados, com informações essenciais para tomadas de decisões por parte do Ministério da Economia e de outros órgãos públicos.

A atuação do Observatório da Indústria para alcançar os objetivos do Acordo de Cooperação com o Ministério da Economia contará com a equipe de economistas da Fiec mensurando o impacto econômico de todas as políticas públicas já mapeadas e propondo melhorias para expandir o seu efeito na redução do Custo Brasil.

“A expertise já existente e prospectiva estratégica faz com que o Observatório seja o parceiro certo para conseguir desenvolver metodologias e mecanismos que auxiliem associações empresariais, ou mesmo ONGs, a elaborarem suas agendas de contribuição para o aumento da competitividade do Brasil”, comenta o gerente do Observatório da Indústria da Fiec.

A Fiec contribuirá ainda com uma equipe de cientistas de dados que trabalha, cotidianamente, fazendo todo o processo de coleta e automatização da disponibilização de informações essenciais para as tomadas de decisão.

“São essas informações que vão permitir, por exemplo, medir os resultados dessas políticas, orientar melhor a sociedade e o Governo para construção de uma visão crítica para temas tão importantes, como o desenvolvimento do País e a competitividade das empresas brasileiras”

Guilherme Muchale, gerente do Observatório da Indústria da Fiec

Mercado cearense

O secretário Jorge Luiz de Lima também se reuniu com o Grupo de Líderes Empresariais do Ceará, o Lide Ceará, onde, além do Custo Brasil, abordou outros assuntos de interesse do setor produtivo cearense, como a Medida Provisória (MP) do Ambiente de Negócios. Ele reforçou o papel da desburocratização do país para ampliar a competitividade.

“Os governos seguem investindo em projetos estruturantes e o setor produtivo não tem tempo a perder. O Lide não está preocupado com interesses classistas, além de ser apartidário, respeita as posições de cada um de seus membros. Mas é de grande interesse do Lide superar esta crise, unindo a mais expressiva amostra do PIB do Estado em torno de projetos concretos”

Emília Buarque, presidente do Lide Ceará

Ainda segundo a Lide Ceará, o secretário ressaltou a necessidade da reforma administrativa e de investimento em capital humano, com foco na educação técnica, a partir das características de cada região do País. “No Nordeste, temos uma grande vocação turística, mas precisamos fortalecer cada vez mais quem trabalha nesse setor, preparando-o para um mercado exigente e dando-lhe condições de crescimento. Para isso, estamos desenvolvendo uma série de programas inteligentes de formação, em parceria com entidades como o Sebrae, Senai e Senac”, comentou Jorge Luiz de Lima.

Uma outra linha apontada pelo secretário do Ministério da Economia foi a criação de metodologias de incentivo de políticas públicas para que o empresariado invista no capital humano com vantagens, qualificando, assim, a mão de obra local.

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