Tradicional cultura cearense, a mandioca permanece com espaço na agricultura familiar e pode encontrar um grande potencial de mercado na fabricação de rações para animais.

Produção de mandioca tem potencial para crescer no Ceará

Por: Fátima Babini | Em:
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Farinha, goma, frita ou assada. Não importa a forma: a mandioca tem sempre um espacinho na mesa dos cearenses. É justamente essa variedade que torna o produto tão especial para quem o consome e, principalmente, quem o produz. Quem destaca isso é José Francisco Carneiro, secretário de política agrícola da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Ceará (Fetraece). “A mandioca tem a sua importância econômica por não ficar restrita a um único uso. Ela abrange toda uma cadeia que vai desde o consumo humano até o consumo dos animais. Por isso, essa cultura é bastante disseminada aqui no Estado”, afirma.


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José Francisco Carneiro completa ainda que a plantação de mandioca tem baixo custo de manutenção e menos riscos de trazer prejuízos por ser uma cultura simples. “Ela tem um baixo índice de ataque de infestação de insetos, portanto, você praticamente não precisa usar agrotóxico. É uma cultura fantástica, onde você não tem prejuízos com essa planta, desde que a use toda. Por exemplo, se for se preocupar só em fazer farinha, vai perder um bom dinheiro com a ramagem, onde você poderia fazer outros produtos para usar na ração animal. Os agricultores familiares do Ceará, em sua grande maioria, fazem uso dessa cultura como uma forma de aumentar a renda na sua propriedade”, pontua o secretário de política agrícola da Fetraece.

Silvio Carlos Ribeiro, secretário executivo do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), também afirma a forte tradição da plantação de mandioca no Estado, pontuando que a cultura tem acompanhamento pela Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA).

“A produção da mandioca é, tradicionalmente, de agricultura familiar. Por ser feita por pequenos agricultores, ela tem uma baixa produtividade. Mas, mesmo assim, é uma cultura muito produzida em algumas regiões, sendo bem espalhada, principalmente pelo litoral e também no Cariri”

Silvio Carlos Ribeiro, secretário executivo do Agronegócio da Sedet

Produção cearense

Segundo o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor do Sebrae Ceará, Henrique Araújo Lima, a cultura da mandioca já foi de muita expressão no Estado, mas, atualmente, possui aproximadamente 100 mil hectares plantado, o que indica uma produtividade relativamente baixa em relação a outros estados, com 8.500 quilos por hectare de área de raiz produzida. Apesar das áreas de plantio ocuparem principalmente o litoral cearense, a região do Cariri é considerada como o “celeiro da mandioca”.

Inclusive, foi lá que surgiu uma grande oportunidade para o produto em relação à fabricação de cerveja. “De um ano para cá, esse trabalho começou na Chapada do Araripe, lá em Salitre, considerada hoje a capital da mandioca. A Ambev, eu faço inclusive até parte de um grupo de trabalho em relação a isso, abriu essa grande oportunidade de comprar a mandioca dos produtores de lá, trazendo para a indústria daqui”, comenta Henrique Araújo. A bebida cearense, batizada de Legítima, foi lançada em 2019. 

Henrique destaca ainda outras regiões do Estado que são grandes produtoras de mandioca, como Itapipoca, Amontada, Trairi e Ibiapaba. Ele, que há 35 anos se dedica a estudar a cultura da mandioca, acredita que, hoje, um dos grandes desafios é que poucos produtores sabem do potencial que a mandiocultura pode oferecer, mas que novas perspectivas têm surgido no Ceará. Uma delas é uma tecnologia desenvolvida por ele em 2005, chamada de Mandioca Adensada para Alimentação Animal, com perspectiva de produzir de 100 a 300 toneladas por hectare, com média e alta tecnologia.

“Com essa nova tecnologia, o produtor rural não precisaria mais comprar ração, ele pode produzir sua própria ração”

Henrique Araújo Lima, consultor do Sebrae

Dessa forma, é possível aproveitar a proteína das partes aéreas da mandioca para fazer ração animal. Isso porque, com a atual crise do milho e da soja, que tem elevado os preços e tornado praticamente inviável a aquisição de rações animais feitas com esses ingredientes, a mandioca surge como alternativa para os produtores.

Além disso, Henrique destaca ainda a riqueza da raiz da mandioca em amidos, ou seja, carboidratos, o que a torna um bom substituto também para o milho dentro de uma dieta saudável. Soma-se a isso o fato de que o uso da mandioca na alimentação humana reúne mais de 40 produtos, que vão desde os conhecidos bolos aos inusitados sorvetes e pães.

Expectativas para 2021

Este ano, por conta do inverno, a safra da mandioca pode ser um pouco desfavorável. Isso porque, segundo José Francisco Carneiro, é uma cultura que precisa de cinco vezes mais chuva para produzir bem.

“Porém, mesmo com inverno se comportando como está, ou seja, o inverno de 2021 está se comportando conforme o prognóstico da Funceme, com 50% em torno da média, 40% abaixo da média e 10% acima da média, eu diria que nós podemos ter apenas uma queda pequena na produção de mandioca na safra 2021/2022. Mas isso só teremos como verificar no próximo ano”

José Francisco Carneiro, secretário de política agrícola da Fetraece

Silvio Carlos pontua que o Estado deve continuar os trabalhos focando mandioca, fortalecendo o potencial que o produto tem para a agricultura familiar. “O que temos que buscar agora é melhorar a produtividade, porque estamos abaixo da média nacional. Ainda não existe muita tecnologia para agricultura familiar aqui, mas a gente tem evoluído. Nossa busca é essa: melhorar a produtividade e inserir tecnologia no campo, principalmente para a agricultura familiar”, conclui o secretário.     

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