Com a inserção da tecnologia no mercado de moda, especialistas apontam o universo digital como caminho para alavancar vendas e impulsionar o crescimento de marcas locais.

Inovação tecnológica na moda traz adaptações no mercado cearense

Por: Maria Babini | Em:
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Marina Lima é formada em Design de Moda pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e transformou seu trabalho de conclusão de curso em um marketplace: o Enxame. Cada vez mais, o universo de empresas ou startups ligadas à moda, como a de Marina, vem adotando a tecnologia como aliada. São as chamadas fashiontechs. Servindo como lugar de encontro entre vendedores e compradores, a plataforma Enxame oferece serviços para as marcas autorais locais.


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“O Enxame nasceu para valorizar o produto local e trazer sempre meios de facilitar a inserção deles em um mercado maior. A justificativa para essas marcas não crescerem tanto é que elas só são conhecidas pelas mesmas pessoas, que vão pras mesmas feirinhas ou que já conhecem as marcas e conseguem achá-las nas redes sociais. Mas as pessoas que têm vontade de consumir de forma mais consciente. Até essa questão do movimento global de consumir local, principalmente com a pandemia, elas não conseguiam fazer isso porque não conheciam as marcas. E aí a ideia do Enxame é reunir várias marcas pras pessoas poderem consumir melhor”, relata Marina.

Paulo Rabelo, presidente da Câmara Setorial de Moda do Ceará, ligada à Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), frisa a importância da tecnologia para o setor no contexto atual. “Hoje, pela pandemia, ela se provou ser fundamental para o nosso segmento. Tanto que o e-commerce foi muito forte. Quem não usar o meio digital para vendas, vai ficar para trás”, observa. Ivan Moreira, analista da Unidade de Competitividade de Negócios do Sebrae Ceará, também destaca que tanto o varejo quanto a indústria da moda tem que buscar alternativas para fazer o produto chegar ao consumidor. “As inovações do mercado têm exigido isso. Hoje, se você não tem um e-commerce, não tem condições de se mostrar para esse mercado fora do estado ou fora do Brasil, por exemplo”, explica.

Tecnologia e sustentabilidade

Paulo Rabelo compartilha que, com a questão da sustentabilidade em alta no setor da moda, a tecnologia tem sido um meio de valorização das marcas locais. “Antes, as nossas marcas escondiam que fabricavam no Ceará. O pessoal falava ‘faz de conta que a gente produz em São Paulo’. Então, notei que essa história da sustentabilidade tem uma pegada mais nossa. As marcas estão fazendo coisas no Ceará, vendendo para o Ceará e dizendo que são cearenses. São várias alternativas do setor para valorizar cada vez mais as nossas marcas. A tecnologia traz isso: consumidor quer mais transparência. Hoje, o cliente tem como ver o processo desde a plantação do algodão até o produto chegar na loja. Essa geração mais consciente está em busca disso”, avalia. 

O presidente da Câmara Setorial de Moda do Ceará da Adece reforça ainda que ser sustentável não é ser mais caro, e sim usar recursos para fazer um custo melhor ou igual do que já se faz. “É preciso levar a sustentabilidade não só para a classe A, como também para todas as outras. Atualmente, fabricamos o nosso próprio ozônio para poder usar na lavanderia e isso diminui os produtos químicos, como também o uso de água. Temos o processo de pulverização, que são sprays que pulverizam a água dentro da máquina. Substituímos água por espuma, o que reduz até 80% do consumo. A tecnologia química está avançando muito, pois os produtos químicos estão sendo trocados por biodegradáveis”, afirma Paulo.

Para Marina, a questão da tecnologia na moda vem de antes da pandemia. “A pandemia só fez acelerar o processo e mostrar como a gente estava atrasado. A gente sente a falta do contato, principalmente na moda. As pessoas gostam de experimentar, pegar na peça. Mas quando elas já conhecem a marca, costumam comprar online porque já sabem a modelagem, o tamanho que vestem e, não conhecendo, é sempre possível fazer trocas. Agora é que as grandes marcas estão se atualizando e tendo presença digital além da publicidade. Porque antes elas sempre estavam nesse espaço, mas sendo marketing, não fazendo vendas”, pontua.

Ivan Moreira divulga que, em virtude da necessidade de conectar os pequenos negócios à tecnologia, o Sebrae oferece o serviço Sebraetec, que promove a melhoria de processos, produtos e serviços e ainda a introdução de inovações nas empresas e mercados. “Destacamos aqui as possibilidades que essas empresas têm de reduzir custos, ter maior produtividade, ter agilidade na entrega, na distribuição, na logística. Há muitos ganhos que as empresas absorvem quando estão buscando essas inovações e tecnologia, melhorando os processos. Isso traz boas condições de competitividade. E agora existe também essa oportunidade de buscar startups para facilitar não só na parte de produção, mas de comercialização”, comenta.

Mudanças de consumo

Paulo Rabelo enfatiza que, cada vez mais, os clientes têm buscado uma marca verdadeira e com mais transparência na moda. E a tecnologia traz muitas possibilidades de estreitar essa comunicação com o público.

“Quem não souber se comunicar com o seu consumidor através de tecnologia, de sustentabilidade, ficando na mesmice que estava antes, se as empresas não evoluírem e não se atualizarem, eu acho que elas vão perder cada vez mais espaço no mercado”

Paulo Rabelo, presidente da Câmara Setorial de Moda do Ceará

Marina Lima acredita que essa adaptação à nova realidade também é uma tendência. “Grandes cadeias varejistas estão comprando pequenas marcas e digitalizando, isso já está acontecendo fora do Brasil. É preciso se adaptar a essa nova realidade, não só do digital, mas de inovar de alguma maneira. O consumidor não quer só mais ir na loja e comprar, ele quer uma experiência, uma novidade, uma surpresa. Sem esse olhar inovador, eu acredito que vai se tornar cada vez mais difícil criar e vender moda para um cliente cada vez mais exigente”, ela destaca.

“As pessoas estão, realmente, ficando mais preocupadas com as consequências do consumo. E a tecnologia vem para facilitar que essas marcas desempenhem o papel delas, que é modificar a forma que o público consome, conscientizando sobre o consumo consciente”

Marina Lima, empreendedora

Ivan Moreira aponta ainda a importância da inovação estar inserida desde o processo da matéria-prima ao de industrialização, distribuição e comercialização dos produtos no mercado consumidor final.

“Toda essa cadeia tem de incorporar a tecnologia e deve estar muito bem conectada a alguns processos de produção mais inovativos. As startups do setor têm colaborado com essa questão da tecnologia sustentável, agrega muito ao processo não só de produção, mas de comercialização, é importante estar envolvido”

Ivan Moreira, analista da Unidade de Competitividade de Negócios do Sebrae Ceará

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