A taxa de juros baixa é apontada como a grande responsável pelo aquecimento do setor desde o ano passado, somada às novas demandas trazidas pela pandemia. O câmbio favorável também pode atrair investimentos estrangeiros, afirmam especialistas.

Construção civil mantém alta e prevê crescimento de 10% em 2021

Por: Wania Caldas | Em:
Tags:, ,

O mercado da construção civil no Ceará fechou 2020 com alta de 5% em relação a 2019 e a projeção para este ano é de crescimento de 10%. Os dados são do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado (Sinduscon-CE). “Com a taxa de juros baixa, os investidores debandam das aplicações em renda fixa porque a rentabilidade é muito baixa. Além disso, quando você reduz os juros, reduz a prestação dos financiamentos. Ao que tudo indica vamos continuar crescendo em 2021”, afirma o presidente do Sinduscon, Patriolino Dias.


Quer receber os conteúdos da TrendsCE no seu smartphone?
Acesse o nosso Whatsapp e dê um oi para a gente.


O vice-presidente da Área Imobiliária do Sinduscon, José Carlos Gama, destaca que o imóvel tem rentabilidade de 5% a 6% ao ano, passando a ser uma opção mais atrativa para os investidores. “Quando há queda na taxa de juros no Brasil, os investidores mudam de posição e se sentem atraídos a aplicar no mercado imobiliário: comprando imóvel diretamente, comprando cota de fundo imobiliário ou comprando ações de empresas da construção civil com capital aberto na Bolsa”, explica.  Gama ressalta ainda que o câmbio favorável pode promover uma retomada do investidor estrangeiro ao mercado cearense.

“Outro fator que se alia à taxa de juros é a desvalorização do real frente ao dólar e ao euro. Temos a percepção, em conversas com nossos associados, que principalmente espanhóis, portugueses e italianos começam a retornar ao nosso mercado”

José Carlos Gama, vice-presidente da Área Imobiliária do Sinduscon

O especialista em mercado financeiro Henrique Lucena também destaca as taxas de câmbio e de juros como grandes atrativos do país. “Hoje o real está entre as moedas de mercados emergentes mais desvalorizadas frente ao dólar e isso, claro, gera uma atração de ativos brasileiros. Além disso, antes, o estrangeiro via o Brasil como um lugar de taxa de juros altos e isso está mudando, já existe um interesse em investir no país no médio e no longo prazo. Mesmo com todas as complexidades, o Brasil apresenta oportunidades de investimento que poucos lugares do mundo oferecem”, analisa.

Thiago Fujiwara, da VERK Investimentos/ BTG Pactual Digital, explica que a projeção de retomada do Produto Interno Bruto (PIB) para os próximos anos é outro fator que favorece o interesse do capital estrangeiro – o banco BTG Pactual prevê alta de 3,2% e 2,5% em 2021 e 2022, respectivamente.

“O que faz o investidor estrangeiro aplicar num país como o Brasil é o crescimento e as projeções positivas de curto prazo. Outra coisa que pode influenciar no longo prazo é que quem fizer investimento no Brasil agora vai ter benefício do real frente ao dólar e ao euro, vai ter valorização da moeda. Ou seja, ele olha o crescimento, a recuperação do PIB e a valorização de todos os ativos para medir o retorno financeiro”.

Thiago Fujiwara, da VERK Investimentos/ BTG Pactual Digital

Considerando todas essas variáveis, Fujiwara afirma que é um bom momento para investidores locais e estrangeiros. “É um momento oportuno para comprar, tanto pela moeda como pelo preço”, diz.

Consumidor busca bem estar e aquece vendas 

Além dos grandes investidores, o consumidor cearense que compra imóvel para moradia tem contribuído bastante para o aquecimento do setor. Seja na busca por imóveis de segunda moradia ou na compra de um imóvel mais amplo e confortável, esse público tem sido atraído pela taxa de juros e pela oferta de crédito. De acordo com o presidente do Grupo BSPAR, Beto Studart, o consumidor tem investido, desde o ano passado, no conforto e no bem estar.

“Temos uma mudança de perspectiva após a pandemia. Antes, as pessoas não queriam gastar, poupavam dinheiro estimuladas pelos juros altos. Agora temos uma ótica voltada para o bem viver e isso tem dado vitalidade à construção civil”

Beto Studart, presidente do Grupo BSPAR

A superintendente comercial do Grupo, Renata Santos, afirma que a empresa fechou 2020 em alta, impulsionada principalmente pelo resultado do segundo semestre. “Desde julho e agosto vemos uma maior demanda por imóveis prontos, tanto residenciais como salas comerciais. Com a pandemia, as pessoas começaram a olhar para o lar como o maior bem, não só financeiro, mas de bem estar da família”. O mais novo empreendimento do Grupo, o BS Flower, lançado em novembro de 2020, teve 45% das unidades vendidas em dois meses, segundo a superintendente. 

A Lopes Immobilis também registra alta desde o ano passado. De acordo com Ricardo Bezerra, sócio-diretor da empresa, 2020 superou em mais de 20% o ano de 2019. “E este ano já começou 30% melhor que o ano passado. Existem dois principais motivos para isso: o primeiro é a taxa de juros e o segundo é o fator psicológico trazido pela pandemia. As pessoas passaram a ficar em casa e isso fez com que elas buscassem mais conforto e imóveis de segunda moradia, já que hoje é possível você trabalhar da casa de praia, por exemplo”. A empresa também tem sentido o impacto dos juros no comportamento dos investidores, segundo Bezerra.

“Hoje 30% dos nossos clientes são investidores e, com a taxa de juros baixa, o dinheiro no banco não rende e o imóvel passa a ser uma aplicação melhor”

Ricardo Bezerra, sócio-diretor da Lopes Immobilis

A tradução dos conteúdos é realizada automaticamente pelo Gtranslate.
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

Top 5: Mais lidas

Cadastre-se em nossa newsletter