Após seis anos de hiato, o Porto do Pecém deve voltar a receber navios de grande porte da Petrobras carregando combustível líquido, com previsão de ganhos econômicos para o Estado.

Transbordo no Porto do Pecém deve aumentar em 15% com navios da Petrobras

Por: Maria Babini | Em:
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Após seis anos de hiato, a volta das operações de transbordo da Petrobras no Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, impulsionará ganhos econômicos neste ano para o Estado. De acordo com Waldir Sampaio, diretor executivo de operações do Porto do Pecém, “a retomada da operação será realizada nos berços do Terminal de Múltiplas Utilidades (TMUT) do Porto do Pecém, que dispõem de uma excelente infraestrutura para receber os navios da Petrobras. Paralelo a isso, o Complexo do Pecém trabalhou em todo o processo para liberação dessa operação junto aos órgãos anuentes, desde da licença de operações, liberada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Receita Federal, como também anuência da praticagem e da Capitania dos Portos do Ceará”, comenta.


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As operações de transbordo pertencem a uma modalidade conhecida como “Ship-to-Ship” (STS) que, segundo o Ibama, consiste na transferência de carga de petróleo e seus derivados entre embarcações localizadas em águas jurisdicionais brasileiras, podendo ocorrer com as embarcações em movimento ou ancoradas. “Essa modalidade, normalmente, é realizada através da transferência de carga entre dois ou mais navios, onde o primeiro, geralmente um navio de grande porte, que não atraca em portos pequenos, atraca no berço e o segundo, um navio menor que tem condições de atracar em portos pequenos, atraca a contrabordo do primeiro. Após a atracação, é realizada a conexão através de mangotes, que são uma espécie de mangueira, por onde o combustível é bombeado do navio 1 para o 2. Finalizada essa operação, o navio 2 desatraca e o navio 3 atraca e recebe o restante do combustível”, explica o  diretor executivo de operações do Porto do Pecém.

Dados do Governo do Estado do Ceará apresentam que as últimas movimentações de transbordo de combustíveis no Porto do Pecém resultaram em 629.981 toneladas, no ano de 2013, e 707.612 toneladas no ano seguinte, em 2014. A previsão para essa nova leva é uma movimentação estimada de 200 mil m³ de combustíveis mensais.

Retomada

Gildemir da Silva, pesquisador em Economia de Redes e Transportes, acredita que a retomada das operações, após seis anos, ocorreu por conta do crescimento do Porto do Pecém em operação nesse período. “Tiveram alguns investimentos, públicos e privados, no tocante a melhorar a operação no Porto. Com isso, ele se tornou mais competitivo frente aos outros pares. Pela observação dos dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), ele teve melhor desempenho do que outros concorrentes diretos. Então, consequentemente, apresenta um potencial de produtividade melhor”, avalia.

Outro ponto apontado por Gildemir é a capilaridade do Ceará para acessar a Europa e os Estados Unidos através do Porto do Pecém. “A posição estratégica dele permite isso. Além disso, nesses seis anos, o Estado fez várias inserções no porto, uma delas relativa à administração: a parceria com o Porto de Roterdã. Ou seja, tem o know how bem expressivo, de médio e longo prazo, na melhoria da produtividade do porto”, analisa.

Waldir Sampaio comenta que a operação de transbordo ainda não ocorre no Estado, mas há previsão de uma movimentação de duas a quatro operações por mês, dependendo da demanda da Petrobras. Atualmente, o combustível que vem para o Ceará é transbordado em outros estados do Nordeste.

Ganhos econômicos

Ainda segundo Waldir Sampaio, o transbordo vai elevar a movimentação do Porto do Pecém em aproximadamente dois milhões de toneladas/ano, o que representa um acréscimo superior a 15%.

“Além disso, deverá repercutir de forma positiva no faturamento do Complexo do Pecém. Com isso, o Estado do Ceará também será beneficiado com os impostos provenientes da importação dos combustíveis que forem nacionalizados aqui”

Waldir Sampaio, diretor executivo de operações do Porto do Pecém

Gildemir da Silva também indica que, a curto prazo, o impacto econômico será sentido, essencialmente, nas operações e lucratividade do Porto do Pecém. “Os impactos a curto prazo vão ser no Complexo Portuário. As operações vão se tornar mais baratas, do ponto de vista de uso de combustível para o Porto, e isso vai gerar receita para ele. Gerando receita, terá um maior resultado”, ressalta. Já na visão de médio a longo prazo, o pesquisador sugere que a operação pode atrair alguém interessado no processo de distribuição para o Nordeste via Ceará.

“Pode ocorrer também de empresas, que já tenham infraestrutura instalada lá para armazenar a distribuição de combustível, começarem a operar com maior capacidade. Isso pode gerar, de certo modo, centralidade para o Porto na distribuição de combustíveis para o Norte e Nordeste. Mas, como eu disse, de início, o impacto econômico é essencialmente no Porto do Pecém enquanto empresa”

Gildemir da Silva, pesquisador em Economia de Redes e Transportes

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