A importância que a China exerce hoje na economia brasileira é gigantesca. Na relação bilateral, não só é o país que mais importa produtos brasileiros, como também é o maior investidor estrangeiro no Brasil. Cenário que também se reflete no Ceará. E quando se trata de tendências tecnológicas, o país asiático não pode ficar de […]

Projeto Bora pra China visa fortalecer cooperação entre Ceará e país asiático

Por: Anchieta Dantas Jr. | Em:
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A importância que a China exerce hoje na economia brasileira é gigantesca. Na relação bilateral, não só é o país que mais importa produtos brasileiros, como também é o maior investidor estrangeiro no Brasil. Cenário que também se reflete no Ceará. E quando se trata de tendências tecnológicas, o país asiático não pode ficar de fora. De acordo com os analistas do setor, a China vem tomando espaço na nova economia em inovações, com grandes investimentos e incentivos governamentais em ciência e tecnologia, além de fomentar iniciativas de empreendedorismo nessa direção. Aonde a China quer chegar? Bem, conforme o presidente Xi Jinping já deixou claro, nos próximos anos, a proposta é superar os Estados Unidos como potência tecnológica mundial. Isso também vale para a Inteligência Artificial (AI).


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“A china é fonte de inspiração. Ela tem protagonizado uma grande evolução tecnológica. Tive o privilégio de interagir intensamente com instituições chinesas nos últimos quatro anos, em programas de desenvolvimento tecnológico e de negócios na área de biocombustíveis, o que me deixa convicto desse processo. Vemos a autoestima que esse país vive. Os chineses não têm medo de pensar grande, não temem ser ousados. Assumem compromissos que nós talvez ficássemos acanhados diante de tamanho desafio”, aponta o coordenador de Inovação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará (Sedet), Expedito Parente Júnior.

E as várias experiências de cooperação entre o Brasil e esse “gigante asiático” levaram à criação do movimento chamado Bora pra China, iniciativa do Instituto Iracema Digital, hub de inovação cearense, com o apoio do Governo do Estado.

“A proposta é integrar e potencializar os vários esforços de interação já existentes entre a China e as instituições do Ceará”

Expedito Parente Júnior, coordenador de Inovação da Sedet

Recentemente, o projeto foi destaque da segunda edição da “Escola de Verão”, evento voltado para a troca de conhecimento e experiências em IA com a proposta de aproximar governo, academia e mercado em uma promoção do Instituto Iracema Digital em parceria com o governo cearense, por meio da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secitece) e da Sedet, assim como da Fecomércio e do Hub Cumbuco. Em forma de painel, as experiências atuais e o potencial de cooperação tecnológica possível de se estabelecer entre a China e o Ceará foram expostos, no escopo da iniciativa, por pesquisadores, representantes de instituições e empresas que já atuam nesse processo.

Centros de cooperação

Um dos painelistas, foi Huanan Lyu, da universidade de Tsinghua, onde dirige o Centro Brasil-China, voltado para estudos sobre mudanças climáticas e inovação em tecnologia em energia limpa. Embora o centro tenha sido estabelecido entre a Universidade de Tsinghua e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no ano de 2010, conta Lyu, em 2019, firmou-se um memorando de entendimento com o propósito de transferir tecnologia para o Brasil.

Entre os contemplados pela iniciativa encontram-se o Governo do Ceará e o Parque de Inovação e Cooperação da Universidade de Tsinghua. “É o maior parque de ciência e tecnologia mundial, que foi criado por várias universidades”, explica o pesquisador. Conforme disse, a equipe de pesquisadores desenvolveu uma tecnologia para produção de biodiesel.

“Esta tecnologia chamou a atenção e mostrou potencial para ser comercializada no Brasil, porque a indústria de biodiesel vai crescendo no país”

Huanan Lyu, da universidade de Tsinghua

Ao mesmo tempo, a economista e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Mônica Amorim, apresentou o Instituto Confúcio no Ceará, do qual é diretora. A unidade é um das 11 unidades estabelecidas no Brasil e está entre as mais de 500 existentes em todos os continentes. Segundo ela, o instituto é uma instituição educacional sem fins lucrativos, vinculado ao Ministério da Educação da China. Tem como objetivos apoiar e promover o ensino da língua e cultura chinesas, assim como melhorar a compreensão bilateral e a amizade entre os povos, intensificar a cooperação e intercâmbio na área educacional e cultural, desenvolver as relações amigáveis entre a China e os países estrangeiros e estimular a multiculturalidade.

“Entretanto, o nosso instituto, desde a sua criação, procurou ir além da promoção da língua e da cultura chinesa. Procuramos promover também a cooperação com os setores público e privado no desenvolvimento tecnológico”, fala e complementa que o Instituto Confúcio mantém uma parceria com a Universidade de Nankai, “uma melhores da china, sendo esta cidade a quarta maior do país, próxima a Pequim”.

“Entre os avanços, estes por meio de experiências, podemos citar a Escola de Verão, iniciativa que levou jovens empresários de Fortaleza à China, quando, então, eles participaram de seminários de empreendedorismo e inovação, assim como de visitas a empresas chinesas”, conta. Mônica ainda aponta outra iniciativa: o acordo de cooperação com a UFC na área de IA, a fim de facilitar e ancorar pesquisas conjuntas, o intercâmbio de pessoal e a organização de eventos e missões sobre o tema. “Dentro desse acordo, os professores de IA da UFC estão discutindo com os colegas da Universidade de Nankai alguns temas prioritários para pesquisa conjunta. Entre eles se destacam a computação gráfica, bioinformática e modelagem espacial e temporal”, afirma.

projeto bora para china

Ainda de acordo com ela, os próximos passos previam a ida de professores cearenses a Nankai, o que foi adiado devido à pandemia. Trata-se do Seminário Internacional de Desenvolvimento, Inovação e Empreendedorismo Chinês.

“As oportunidades de cooperação com a China são inúmeras. Os chineses são o maior parceiro comercial do Brasil, o Ceará tem uma balança comercial muito favorável com a China, mas é importante pensar em diversificar as nossas relações naquele país, indo além da exportação de alimentos e minérios. Podemos pensar em entrar com mais força em negócios envolvendo as novas tecnologias, como IA, biocombustíveis e biotecnologias”

Mônica Amorim, economista e professora da UFC

Macau: porta de entrada para investidores brasileiros

A região autônoma de Macau, na costa sul da China continental, separada de Hong Kong pelo delta do rio das Pérolas, foi território ultramarino português até 1999. De volta à influência política chinesa, os investimentos do Governo Central Chinês estão transformando a região em uma zona de extremo desenvolvimento tecnológico, incluindo diversos polos de desenvolvimento de IA surgindo, então, muitas possibilidades de integração com os países de língua portuguesa, notadamente o Brasil.

É para o que chamou a atenção o cearense Alexandre Marques, atualmente professor da Universidade de St. Joseph, em Macau. “O Governo Central da China tem planejamentos quinquenais, por meio dos quais são definidos planos claros de desenvolvimento, voltados às vocações regionais. Nesse sentido, todos os atores de cada região passam a trabalhar para fomentar e valorizar esses polos. E Macau é uma região que tem sido fomentada para servir de plataforma de negócios entre a China e países de língua portuguesa, devido ao período de ocupação de Portugal”, justifica.

De acordo com Marques, muitos esforços estão sendo empreendidos a fim de identificar atividades que deem frutos concretos na relação com os países lusófonos. E isso abre espaço para aproximar o Brasil e promover o setor de tecnologia do Ceará em Macau.

“Temos muitos movimentos nessa direção, como parques tecnológicos e incubadoras. Ou seja, estruturas enormes para abrigar esse processo de transição de Macau para um ambiente de desenvolvimento tecnológico. Tudo muito ligado, por exemplo, às áreas de biotecnologia e saúde, mas existem muitas oportunidades em outras áreas também”

Alexandre Marques, professor da Universidade de St. Joseph

No caso da Universidade de St. Joseph, ele adianta que está sendo iniciado o projeto de uma incubadora e aceleradora focada em startups de países de língua portuguesa. “Então, também existe esse tipo de momento no setor privado. O que pode ser um catalisador de muitos investimentos e cooperações. Um portão de entrada para muitos negócios”, conclui.

Pesquisa e desenvolvimento

O professor de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Wally Meneses, chamou a atenção para o leque de opções nas áreas de empreendedorismo e convergências tecnológicas, assim como para a experiência de cooperação com a China nas áreas de telecomunicações e energia fotovoltaicas.

Segundo ele, o IFCE tem um hub de inovação e produção de tecnologias em IA, computação em nuvem, redes, sistemas embarcados e tecnologia móvel. São 60 projetos de pesquisas em curso e a outros 400 em prospecção. Em se tratando de acordos com empresas chinesas, ele ressalta os projetos com a Huawei Technologies Co. Ltd., multinacional de equipamentos para redes e telecomunicações sediada na cidade de Shenzhen, província de Guangdong, naquele país asiático.

“Temos três projetos hoje em curso em parceria com a Huawei. Um deles é em IA, envolvendo estudantes de cursos técnico de telecomunicações. Outro é a possibilidade de implantar um laboratório com equipamentos de telefonia 5G, com a proposta de capacitar professores e estudantes. Também temos outro projeto na área de comunicações moveis e integração com sistema óticos”

Wally Meneses, professor de pesquisa e desenvolvimento no IFCE

Além disso, o professor ressalta que o IFCE contempla atualmente cinco programas em áreas especificas em tratamento com a China. São eles nos segmentos de alimentos, telecomunicações, energias renováveis, computação e, mais recentemente, em ciências exatas, notadamente física e matemática.

Interior do Ceará

Dentro do painel de apresentação do projeto “Bora pra China”, o sócio-fundador da empresa de informática 4G Flex, Geneflides da Silva, destacou a experiência com empresas chinesas, por meio da importação de equipamentos para as sua atividades. Nessa interação com a China, ele destaca o potencial de desenvolvimento em soluções omnichannel, estratégia de conteúdo entre canais que as organizações usam para melhorar sua experiência do usuário e conduzir melhores relacionamentos com seu público nos pontos de contato. Ao mesmo tempo, ele cita o fornecimento de equipamentos para conexão com servidores em nuvem. Nesse sentido, Silva informa que a 4G Flex tem como meta a construção de células de desenvolvimento no interior do Ceará.

“Esta é uma meta da empresa com o apoio do IFCE. Na verdade, nós já temos algumas sementes plantadas nos municípios de Icó, Acopiara, Juazeiro do Norte e Crato, com cinco pessoas já trabalhando nesses locais”, relata. “Contudo, para dar escala a esse projeto, nós pretendemos buscar recursos e mais parcerias na china”

Geneflides da Silva, sócio-fundador da empresa de informática 4G Flex

A segunda edição da Escola de Verão ocorreu entre os dias 29 e 30 de janeiro de 2021, transmitida pelo YouTube em quatro salas localizadas virtualmente no litoral do Ceará.

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