Com capacidade para receber aeronaves de porte médio, o novo aeroporto regional de Sobral, a 13 quilômetros da área urbana, começa a ganhar forma e será concluído no início de 2022, reforçando o hub aeroportuário cearense já integrado por Fortaleza, Juazeiro e Aracati. O empreendimento completo, instalado numa área de 143 hectares, demandará mais de […]

Desenvolvimento regional decola com ampliação de hub aeroportuário

Por: Gladis Berlato | Em:
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Com capacidade para receber aeronaves de porte médio, o novo aeroporto regional de Sobral, a 13 quilômetros da área urbana, começa a ganhar forma e será concluído no início de 2022, reforçando o hub aeroportuário cearense já integrado por Fortaleza, Juazeiro e Aracati. O empreendimento completo, instalado numa área de 143 hectares, demandará mais de R$ 60 milhões provenientes do Estado e da União. As obras estão na primeira fase de construção da pista e de acesso ao aeródromo. Em seguida, virá a construção do terminal de passageiros e, por fim, a terceira licitação contemplará a aquisição de mobiliários e equipamentos.

“Esta iniciativa colocará o município em um novo patamar de infraestrutura, como um importante vetor de crescimento para toda a região norte do Ceará”

Ivo Gomes, prefeito de Sobral

Segundo Ivo Gomes, a região está em franco crescimento e conta com diversas indústrias, universidades, hospitais e outros equipamentos de influência regional, além de um aquecido mercado imobiliário.


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Animado com a ampliação de mais um aeroporto e com o início da vacinação de combate à Covid-19, o secretário de Turismo do Ceará, Arialdo Pinho, faz eco das palavras do prefeito e antevê a recuperação da indústria do turismo em 2022, com reflexos na economia cearense. Ele lembra que há um enorme potencial a ser explorado. E cita alguns números que retratam esta realidade, transformada radicalmente em 2020 por conta da pandemia. Somente via Aeroporto de Fortaleza, em 2019, transitaram 3,7 milhões de turistas, 3,3 milhões dos quais brasileiros e 375 mil estrangeiros. A taxa de ocupação hoteleira chegou a quase 77%, resultando numa receita turística direta de R$ 11,7 bilhões, o que impactou o PIB cearense em 12,6% com a oferta de 75.289 empregos.

Para a Setur, o modal aéreo não é vital somente para alimentar o fluxo de turismo, mas para potencializar os negócios em geral. “Turismo não é só lazer. Turismo é negócio e desenvolvimento”, afirma o secretário, dizendo que os governos precisam ter esta visão técnica e profissional do setor, que impacta mais de 50 outros ramos de atividades. Há 20 anos, quando houve o primeiro voo da TAP, o Ceará atraiu 30 empresas portuguesas que hoje passam de dois mil. Situação idêntica aconteceu com a França, Holanda e Itália que chegam ao Estado para atuar no turismo, especialmente investindo em pousadas.

O futuro do Ceará é promissor, no olhar do secretário. Há um esforço do Estado junto às operadoras para o estabelecimento de voos regionais mais regulares, a exemplo de Jericoacoara, com quatro horários diários. Além de Sobral, estão nesta lista São Benedito, Crateús, Tauá, Iguatu e Aracati.

“Nossa estratégia é enfrentar a concorrência dos gigantescos resorts do Caribe de maneira diferenciada e com o que temos de melhor. Ou seja, abrindo espaço para o surgimento de pousadas menores, de 30 a 40 acomodações, onde o hóspede receba conforto e a proximidade e convivência locais”

Arialdo Pinho, secretário da Setur

O titular da Secretaria de Infraestrutura do Ceará (Seinfra), Lúcio Gomes, diz que “o contexto econômico e social de Sobral justifica a construção de um maior e mais moderno aeroporto, cujas obras não pararam durante a pandemia e nasce já com possibilidade de futura expansão, de acordo com a demanda”. Integrados e complementares, governo estadual e prefeitura local querem transformar o entorno num polo multimodal de geração de riqueza e de emprego. “Quero ver surgirem centros de distribuição e muitas fábricas naquela região”, diz ele.

Para a área do atual aeroporto, estudo encomendado pela Seinfra e financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostra que os 17 quilômetros de uma área nobre ganharão novo ordenamento. Isto acontecerá somente após a homologação do novo aeroporto, podendo ser utilizados para ocupação residencial, área de comércio e serviços e área verde. Mas a decisão é de competência da Prefeitura e deverá passar pela aprovação da Câmara de Vereadores.

Estratégias

“Ao investir na infraestrutura de aeroportos, o Ceará ganha em conectividade, um diferencial importante para o olhar dos investidores”

Gildemir Silva, economista

Assim Gildemir Silva resume as vantagens da ampliação e modernização do aeroporto de Sobral, o que permitirá desenhar um quadrado estratégico na geografia do Estado, encurtando distâncias e criando uma rede atraente para o desenvolvimento. Para ele, trata-se de uma estratégia regional bem-sucedida nos EUA e Europa. “A França é um modelo vitorioso neste caminho para o progresso harmônico e equilibrado, bastante interessante para um País continental como o Brasil e que está sendo aplicado no Ceará”, diz. Fortaleza, Juazeiro, Aracati e Sobral, a partir da disponibilidade de voos de carga e passageiro, disseminarão o crescimento e se transformarão em núcleos econômicos irradiadores.

Basta lembrar que com os voos charter vindos da Holanda e outros originados em Campinas trazendo turistas estrangeiros e sulistas, o aeroporto de Aracati beneficia o turismo do litoral leste, que já conta com desenvolvimento regional próprio. Em Juazeiro, a tendência é de potencializar o polo econômico existente envolvendo gesso, minério e a plantação de soja, na divisa com Piauí. “É a integração do Sudeste brasileiro com Fortaleza e interior”, diz o economista. Ele aponta como essencial neste avanço a melhoria das estradas que vem sendo realizada pelo governo estadual. Lembra, ainda, que Juazeiro atrai paleontólogos estrangeiros e estudiosos graças à formação geológica local, o que motivou, entre outros, o investimento no hotel de alto padrão, o Iu-á.

Com o novo aeroporto, Sobral seguirá o mesmo caminho e criará vida própria descongestionando a estrutura do terminal de Fortaleza até há pouco única porta de entrada do Estado. O economista Gildemir projeta que em quatro anos, no máximo, haverá um “boom” de crescimento a partir deste desenho do hub aeroportuário. Nesse período, a União anunciará novos lotes de concessões de aeroportos também regionais para as cidades de médio porte. “Há 10 anos, o Ceará não tinha a estrutura atual para atrair investidores e comprovadamente reduzir os custos de instalação e operação de novas empresas”, afirma.

No caso específico de aeroportos, acrescenta-se como vantagem adicional o desenvolvimento de insumos produtivos inerentes como combustível e formação de mão-de-obra especializada, que geram negócios relevantes. “É o Ceará se desenvolvendo com uma grande estrutura do complexo do Porto do Pecém e agora com um conjunto de aeroportos, o que permite a conexão do Estado ao mundo envolvendo pessoas e bens”. A afirmação é do presidente da Associação Brasileiros da Indústria de Hotéis (ABIH-CE), Régis Medeiros, que não tem dúvidas de que um dos maiores e diretos reflexos de uma eficiente estrutura aeroportuária é no trade turístico e, em decorrência, na economia estadual, ao destacar o benefício da descentralização de um dos mais importantes modais para o turismo.

hub aeroportuário do Ceará

Prova disto é o aeroporto de Aracati com pista adequada para pousos da Azul a partir de Campinas. O de Fortaleza, um hub internacional, com KLM, Air France, TAP e GOL. Com a volta à normalidade, essa estrutura permitirá a retomada de voos para Madri, França, Holanda, EUA, Cabo Verde e América do Sul.

“Temos possibilidades de movimentação do Norte, Sul, Leste e Oeste, o que descentraliza, interioriza e integra o turismo e viabiliza outros negócios, retroalimentando este ciclo virtuoso”

Régis Medeiros, presidente da ABIH-CE

Ele está confiante de que a pandemia terá fim e abrirá espaço para o progresso neste ou no próximo ano com maior movimentação interna e externa. “Além das alternativas de deslocamentos aéreos, o Ceará está crescendo em todas as frentes, atraindo grandes indústrias com hub aéreo e marítimo, com o Porto do Pecém, parceiro de Roterdã, e com a disponibilidade de cabos submarinhos e datacenter que conectam o Estado a todos os continentes”, destaca.

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