Empresários da atividade industrial cearense têm o que comemorar com os números apresentados na última pesquisa Sondagem Industrial, realizada pelo Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os dados apontam crescimento da produção do setor em novembro, pelo sexto mês consecutivo, […]

Mesmo com perspectiva de crescimento, indústria cearense segue em alerta

Por: Maria Babini | Em:
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Empresários da atividade industrial cearense têm o que comemorar com os números apresentados na última pesquisa Sondagem Industrial, realizada pelo Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os dados apontam crescimento da produção do setor em novembro, pelo sexto mês consecutivo, trazendo resultados positivos também para emprego e compra de matérias-primas. De acordo com a pesquisa, o índice de Evolução do Número de Empregados do Ceará tem crescido acima do nível nacional pelo terceiro mês consecutivo. Enquanto o Estado atingiu 54,5 pontos, o Brasil alcançou 53,3. O Estoque Efetivo cearense também cresceu, com 42,9 pontos, superando o mês de outubro e chegando perto dos números apontados na média nacional com 44,1 pontos.


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Apesar do cenário otimista, ainda é preciso manter atenção às quedas, mesmo que tímidas, que ressaltam os efeitos da crise provocados pela pandemia. Principalmente agora, quando um dos setores da atividade industrial começou a preocupar os cearenses no início da semana: o automobilístico. Em anúncio feito pela Ford na última segunda-feira (11), a marca informou sobre o fim da produção de carros no Brasil e o fechamento de três fábricas, incluindo a primeira e única fábrica de automóveis do Ceará, localizada em Horizonte. Além da interrupção da fabricação do Troller T4 no município cearense até o final deste ano, a Ford confirmou o encerramento imediato das atividades em Taubaté (SP), onde fabrica motores e transmissões, e em Camaçari (BA), onde produz os modelos Ka e EcoSport.

Impacto do encerramento da produção da Ford no Brasil

Setor automobilístico

De acordo com o comunicado oficial da Ford, o encerramento da produção no Brasil prevê um impacto financeiro de aproximadamente US$ 4,1 bilhões em despesas. Aproximadamente US$ 1,6 bilhão será relacionado ao impacto contábil atribuído à baixa de créditos fiscais, depreciação acelerada e amortização de ativos fixos. Já os valores remanescentes de aproximadamente US$ 2,5 bilhões impactarão diretamente o caixa e estão, em sua maioria, relacionados a compensações, rescisões, acordos e outros pagamentos, segundo a empresa.

Ricardo Cavalcante, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), em nota, demonstrou preocupação com a medida adotada pela Ford. “Hoje, 470 colaboradores trabalham diretamente na fábrica na produção do veículo off road, promovendo o desenvolvimento da região. Assim como o investimento em tecnologia, a geração de emprego e renda é absolutamente relevante para o Ceará, para a indústria, para os cearenses”, ele analisa.

O economista Samuel de Abreu Pessôa também recebeu a notícia do anúncio com preocupação. “Lamentavelmente, o setor automotivo no Brasil tem problemas estruturais gravíssimos, problemas de desenho, de falhas de políticas públicas nos últimos 60 anos. Não é um problema recente. E, com o advento da Ásia, o crescimento da China, a oferta mundial de veículos automotores tem subido muito e nós temos perdido competitividade”, ele analisa. Samuel de Abreu acredita que, nos próximos dez anos, a tendência no País é o encolhimento do setor.

>>> “Decisão da Ford, ainda que dramática, já era esperada”, diz economista

Para o secretário da Sedet, Maia Júnior, a marca Troller, que foi comprada pela Ford em 2007, é um símbolo muito importante para o Ceará. Ele acredita que, por trazer um produto de qualidade com um bom índice de inovação, o Estado deve lutar por ela. “Em primeiro lugar, temos que manter o pacto fabril em funcionamento. Nós temos que nos juntar à empresa para encontrar um comprador, já que ela não quer continuar operando essa fábrica em Horizonte. No sentido de garantir a continuidade de uma marca forte aqui no Estado, uma marca genuinamente cearense, que foi estruturada e desenvolvida por cearenses. Nós já temos o apoio da Fiec. Recebemos o apoio do Governo Federal, através do ministro Gustavo, da Secretaria de Indústria e Comércio do Ministério da Economia. Recebi apoio do prefeito de Horizonte que também quer ajudar nesse aspecto. Estamos unindo pessoas com o objetivo de salvar a Troller do Ceará”, ele ressalta.

Expectativas

Além disso, o outro objetivo da união de esforços entre o Governo Federal, o Governo do Estado do Ceará, Fiec e Prefeitura de Horizonte têm sido a solução de continuidade e de preservação de empregos.

“Queremos garantir o emprego das pessoas que hoje se dedicam e se dedicaram a montar esse trabalho da Troller no Ceará. Vamos buscar a preservação dos empregos até o possível aumento de oportunidades, para que o possível comprador possa depois avançar nessa questão também”

Maia Júnior, secretário da Sedet Ceará

Enquanto é necessário acompanhar os desdobramentos do setor automobilístico em relação ao futuro da Troller no Ceará, o Estado segue com expectativas de crescimento para os próximos seis meses das outras atividades industriais. Especialmente em relação à quantidade exportada, que seguiu novembro projetada acima do nível nacional pelo quinto mês seguido e, de acordo com a Fiec, o indicador no estado variou 2,6, totalizando 58,5 pontos, enquanto em nível nacional o crescimento foi de 0,7, com a marca de 54,6 pontos. Somado a isso, o índice de expectativas do Número de Empregados permanece otimista e os cearenses seguem também, pelo quarto mês consecutivo, sendo mais propensos ao investimento do que a média dos brasileiros.

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