Nos últimos anos, Fortaleza sempre aparece nas três primeiras posições entre os destinos mais buscados pelos viajantes para as férias e feriados nacionais. E este quadro não deverá mudar no período pós-pandemia. Segundo levantamento da plataforma de reservas de hospedagem Hoteis.com, a cidade é o destino preferido no Nordeste e o segundo em âmbito nacional […]

Fortaleza: de destino turístico a cidade geradora de negócios

Por: Anchieta Dantas Jr. | Em:
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Nos últimos anos, Fortaleza sempre aparece nas três primeiras posições entre os destinos mais buscados pelos viajantes para as férias e feriados nacionais. E este quadro não deverá mudar no período pós-pandemia. Segundo levantamento da plataforma de reservas de hospedagem Hoteis.com, a cidade é o destino preferido no Nordeste e o segundo em âmbito nacional após o fim das restrições por conta do novo coronavírus. O que é reforçado por uma pesquisa da agência de viagens on-line Decolar.com, onde a região nordeste do país, com Fortaleza na liderança, desponta como a mais visada para as férias de janeiro de 2021. 

Mas isto é só a ponta do iceberg do que o turismo representa para a economia local. O maior fluxo de pessoas na cidade é capaz de impulsionar diversas cadeias produtivas de bens e serviços com interdependência, tornando Fortaleza extremamente atrativa para investidores de olho na renda gerada pelos turistas, assim como no aumento da renda da própria população.

E não estamos falando apenas dos segmentos tradicionais relacionados ao setor, como meios de hospedagens, serviços de alimentação, serviços de transporte, organizações para o lazer e o comércio de artesanato. O dinamismo do turismo impacta cerca de 54 setores da economia, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesse sentido, a atividade turística resulta, por exemplo, na compra de mais veículos, móveis, eletrodomésticos e eletrônicos, roupas de cama, mesa e banho e de uma infinidade de bens e serviços. Ou seja, promove um ponto de interseção entre os setores primário, secundário e terciário da economia, nem sempre fácil de mensurar, mas cujo impacto positivo é certeiro.


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De acordo com o secretário de Turismo de Fortaleza, Alexandre Pereira, estima-se que o turismo contribua com aproximadamente 1/3 da economia da cidade, sendo “a maior mola propulsora na geração de emprego e renda e, por consequência, do desenvolvimento econômico da capital do Ceará”. Conforme disse, um dos grandes desafios da atual gestão foi procurar entender o quão importante os números do turismo ajudam no desenvolvimento de Fortaleza.

“No ano passado, em apenas um dos eventos sazonais importantes para a cidade, recebemos 650 mil turistas. Fazendo uma conta rápida, considerando que cada turista gasta em média R$ 3 mil na sua estada, estamos falando de um impacto de R$ 1,95 bilhão”, comemora Pereira.

Efeito multiplicador na economia

“O efeito multiplicador causado pelo turismo é muito grande e importante para a economia de Fortaleza”, reforça o coordenador de Projetos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Paulo Barbosa, pois envolve o comércio, os serviços, impactando também na produção industrial. 

“Se imaginarmos que Fortaleza tem um turismo de negócios muito forte, a exemplo do que ocorre nas feiras atacadistas, recebemos compradores de várias cidades do Norte e Nordeste interessados, principalmente, em produtos de confecção. Temos, aí, o desenvolvimento de toda uma cadeia produtiva, envolvendo roupas e calçados, ou seja, a indústria, que é uma cadeia produtiva anterior, por trás do turismo. Ao mesmo tempo, temos ainda toda uma cadeia de serviços que vão sendo agregados a longo da produção desses bens e, no fim, temos o comércio que recebe as externalidades positivas de forma direta da atividade turística na cidade, que é a transferência do recurso, ou seja, da renda”, justifica.

Segundo Barbosa, ao lado da geração de emprego e renda, assim como da criação de novos negócios e aumento da produção de bens e serviços, deve-se considerar também as melhorias na infraestrutura, trazendo benefícios aos turistas e à comunidade local. “Os investimentos, sobretudo na área de infraestrutura, são muito importantes com o intuito de criar esse efeito multiplicador do turismo”, destaca.

“Um bom exemplo é o hub aéreo de Fortaleza. Todo o investimento que foi feito e está sendo feito no aeroporto tem como propósito aumentar o fluxo de passageiros na cidade que naturalmente é impactado diretamente pela nossa localização, clima e vários outros aspectos que permitem que seja um grande negócio investir no equipamento”, explica.

O mesmo acontece, acrescenta Barbosa, com outras obras do gênero na cidade, como a Avenida Beira-Mar, requalificações das praias de Iracema e do Futuro e a melhoria e ampliação da malha viária da cidade. “Fortaleza deu um salto na questão da mobilidade urbana nos últimos anos”, afirma.

Simultaneamente, Alexandre Pereira enfatiza outros dois grandes investimentos na infraestrutura de Fortaleza. A saber, o Polo Gastronômico da Varjota e a nova Avenida Desembargador Moreira, que conecta a Avenida Beira-Mar à zona de compras da Avenida Dom Luís e lojas e shoppings no entorno da Praça Portugal.

“Então, quando esses investimentos acontecem, desencadeia-se todo um processo que envolve direta e principalmente o turismo, traduzindo-se em um maior fluxo de pessoas vindo para a cidade. Esses investimentos influenciam em um maior período de estada, interferindo na maior retenção de recursos e, por sua vez, gerando novos negócios”, conclui Barbosa.

Oportunidades de negócios futuros

Na avaliação do secretário municipal de Turismo, Alexandre Pereira, Fortaleza é uma cidade na qual naturalmente as pessoas querem vir passar férias. “Temos como estratégia tornar a cidade a capital de eventos de negócios, com foco específico em feiras e congressos. Também não podemos deixar de lado os grandes eventos esportivos nacionais e internacionais, que aqui já acontecem, mas que queremos reforçar. Esse tipo de estratégia traz turistas o ano inteiro, inclusive na baixa estação, deixando a cidade concorrida e atrativa todos os meses”, diz.

De fato, emenda Paulo Barbosa, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Fortaleza vem ganhando notoriedade não só no turismo, mas em termos de negócios, fruto de um trabalho que vem sendo desenvolvido exatamente focado em eventos capazes de atrair mais pessoas para a cidade. “Além disso, temos que considerar que um dos nossos maiores trunfos, que é o hub aéreo, está apenas começando. A expectativa é de que alcancemos cerca de 20 milhões de passageiros por ano. Então, estamos falando de pelo menos nove vezes a população de Fortaleza”, enfatiza.

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Conforme Barbosa, a capital cearense deve se consolidar não só como polo turístico e de negócios regional, mas também nacional. “E temos que aproveitar o máximo possível esse fluxo maior de pessoas para resultar em mais renda e atração de investimentos para a cidade”, diz.

Nesse sentido, “agora, é preciso trabalhar para alcançar o nível do fluxo de turistas que chegavam ao estado no momento que antecedia a pandemia. Essa recuperação, conjugada com o funcionamento pleno do hub aeroportuário, poderá promover a expansão e consolidação de segmentos indiretamente ligados ao turismo, a exemplo daqueles envolvidos com esportes aquáticos”, pontua Jair do Amaral Filho, doutor em Economia e professor titular da Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade (FEAAC) e do Programa de Pós-Graduação em Economia (CAEN), da Universidade Federal do Ceará (UFC).

“Na esteira da recuperação da economia do turismo, podem ser estudadas as possibilidades de trazer para o Ceará, e Fortaleza, grandes produções de shows e espetáculos e fazer com que o estado participe de alguma forma do grande circuito mundial dessas produções. Nesse contexto, deve-se fazer um esforço no sentido de procurar manter os dois grandes times locais de futebol, Ceará e Fortaleza, na primeira divisão desse esporte no país, na medida que esses times atraem para a capital cearense grandes equipes nacionais de futebol, com capacidade de atrair torcedores da região Nordeste, que podem prolongar sua permanência no estado”, fala.

Além disso, emenda Amaral, no médio e longo prazo, existem alguns alvos potenciais que poderão ser trabalhados a fim de gerar e ampliar os novos negócios, entrelaçados com a economia do turismo. 


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“Em caso de melhorias radicais na configuração e no ambiente urbanos de Fortaleza, um setor que obviamente poderá se beneficiar é o imobiliário. Além deste, dois pontos focais que poderiam ser potencializados são os segmentos da educação e da saúde, em todos os seus níveis, já que ambos, além de já terem adquirido bons níveis de qualidade na oferta de serviços, voltados para a formação de capital humano, oferecem também boas oportunidades de negócios. Na área da saúde, o Ceará já tem duas empresas locais com ações sendo negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo”, fala.

Ao mesmo tempo, frisa o doutor em economia, o Ceará também se destaca nas realizações de cirurgias de transplantes de órgãos humanos, competência que tem atraído demandas externas ao Estado. “Outras atividades e estruturas a exemplo dos polos da saúde de Porangabussu e Eusébio poderão ser potencializados. No campo da educação, a cidade de Fortaleza reúne um complexo de ensino e pesquisa ainda pouco explorado do ponto de vista do empreendedorismo, dos negócios e da realização de congressos e simpósios”, afirma.

Além disso, Amaral frisa que na medida em que mais cursos de graduação e pós-graduação atinjam níveis de excelência, estes poderão atrair mais estudantes de outras regiões do país e do exterior. “Os referidos complexos educacionais devem ser conectados com o hub digital formado pelos cabos submarinos que entram por Fortaleza”, aponta.

Integração regional como estratégia

De acordo com a pesquisa Regiões de Influência das Cidades (REGIC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2018, a capital cearense surge como a metrópole mais influente do Norte e Nordeste, ou seja, com maior alcance de influência territorial. Esta pesquisa serve como referência para o setor produtivo tomar decisões de localização e realização de novos investimentos, o que coloca a capital do Ceará em posição vantajosa. Cenário que vai ao encontro da estratégia que vem sendo implementada pela Secretaria de Turismo de Fortaleza.

“Acreditamos particularmente no turismo regional. Entendemos inclusive que devemos vender lá fora Fortaleza e a região em conjunto. Nesse sentido, nós já criamos um programa em parceria com a Prefeitura de Natal, onde estamos fazendo um plano de roteirização para que o turista venha para Fortaleza, passe, por exemplo, três dias, em seguida, faça a Rota das Falésias, percorrendo o Litoral Leste do Ceará, chegando a Natal, ficando lá mais três dias, ou vice-versa”, expõe o titular da pasta, Alexandre Pereira.

Conforme disse, essa estratégia foi montada antes da pandemia e levada ao conhecimento da Embratur e do Ministério do Turismo. “Eles adoraram o nosso projeto e já estão implantando como política pública nacional para o fortalecimento do turismo interno brasileiro”, conta.

Na mesma direção de roteiro turístico integrado, adianta o secretário de Turismo, está sendo feita uma parceria com a Cidade de São Luís, capital do Maranhão. “Ligando as duas cidades pela Rota das Emoções. Essa rota passa pelo Litoral Oeste do Estado do Ceará. Não podemos mais pensar estrategicamente uma cidade como Fortaleza, uma capital com a sua dinâmica, como um destino sozinho. Temos que pensar a cidade integrada com as cidades e capitais próximas, fortalecendo o turismo e a atração de mais investimentos”, ressalta. 

Incentivos para atração de novos investimentos

De acordo com Alexandre Pereira, juntamente com uma cidade atraente e movimentada o ano inteiro há outros diferenciais para os investidores desenvolverem os seus negócios na capital cearense. “A atual gestão municipal criou leis e incentivos fiscais para a zona turística, principalmente na Praia de Iracema. Isto foi responsável, no ano passado, por mais de 80 novos CNPJs só nesta área de Fortaleza. Foram pousadas, hotéis, espaços de coworking, restaurantes, bares, entre outros”, relata o titular da Secretaria Municipal de Turismo.

De acordo com ele, Fortaleza foi a única capital do Nordeste que nos últimos cinco anos teve um investimento mais robusto na hotelaria, com a construção de dois hotéis quatro estrelas, inaugurados na Praia do Futuro, com grande infraestrutura para eventos. “Também damos incentivos para quem procura investir em Fortaleza em economia criativa, tecnologia e atividades ligadas à aviação, tendo em vista o nosso hub aéreo”, acrescenta o coordenador de Projetos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Paulo Barbosa. Ainda segundo ele, a Praia de Iracema está se tornando um polo de economia criativa, “conferindo além de uma atmosfera turística, um viés de negócios para a região”.

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