Um dos setores mais afetados durante a pandemia do novo coronavírus, o turismo perdeu grandes volumes de receita em 2020, não somente no Ceará, mas em todo o mundo. Responsável por 12,6% do Produto Interno Bruto (PIB) cearense em 2019, com renda anual superior a R$ 20 bilhões, o setor está em momento de recuperação. […]

Turismo no Ceará: expectativa e foco no visitante regional

Por: Hamlet Oliveira | Em:
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Um dos setores mais afetados durante a pandemia do novo coronavírus, o turismo perdeu grandes volumes de receita em 2020, não somente no Ceará, mas em todo o mundo. Responsável por 12,6% do Produto Interno Bruto (PIB) cearense em 2019, com renda anual superior a R$ 20 bilhões, o setor está em momento de recuperação. Desde 8 de agosto, por exemplo, a praia de Jericoacoara, uma das principais vitrines do Estado, voltou a receber turistas.

De acordo com Arialdo Pinho, titular da Secretaria do Turismo do Estado do Ceará (Setur), ainda é cedo para realizar previsões concretas sobre os próximos meses. Questionado sobre a expectativa de renda do setor em 2020, o secretário pontua que não é possível antecipar esses dados. Contudo, Arialdo destaca que alguns hotéis já registram taxas de 50% de ocupação, mesmo fora de períodos de fim de semana, em localidades como Jericoacoara, Icaraí de Amontada e Guajiru. “Em algumas a demanda ainda é muito baixa, em torno de 20%.”


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Em dados divulgados pela Setur, o turismo vinha em uma crescente, em comparação a 2019, até fevereiro deste ano. Em janeiro de 2020, 533 mil turistas visitaram o Estado, ante 517 mil no ano anterior, uma variação positiva de 3,1%. A partir de março, com as medidas de isolamento no Brasil, os números começaram a decrescer.

Projeto para atração

Arialdo Pinho comenta que a partir de setembro eventos e ações serão desenvolvidas no Brasil e no exterior para voltar a atrair o turista novamente. Um deles foi o Tourism Connection Ceará, no dia 1º de setembro, que reuniu especialistas no setor e membros de organizações internacionais que compartilharam experiências sobre como foi a retomada do turismo em suas nações.

O secretário destaca que o diálogo com outras nações auxiliou na elaboração do projeto de retomada do turismo no Ceará, mas sempre levando em consideração as particularidades locais do Estado. “Foi uma mistura de protocolos do mundo inteiro e nasceu o nosso. Experiências da Flórida, Califórnia, Nova York. Na Europa foram quase todos os países, além da China, Japão, Austrália e Nova Zelândia, que foi muito exitosa.”

Também está em etapa de desenvolvimento uma série de roadshows para circular dentro do Brasil, com a apresentação do potencial turístico do Ceará. De acordo com o secretário, ainda não é possível confirmar quais estados e cidades serão percorridos, pois depende dos protocolos de segurança de cada destino. A partir de novembro, a Setur também participará de eventos em feiras na Espanha, França e Itália, países que são tradicionalmente emissores de turistas para o Ceará.

“A malha que a gente tinha era muito consistente, mas com a pandemia chegamos a 50 voos por mês, quando tínhamos 4 mil. No último mês tivemos 650 voos, mas até outubro acho que vamos entrar nos mil. A ideia é que em dezembro teremos 80% da malha que tínhamos. Depende se a pandemia não voltar, do controle da pandemia no país”, explica Arialdo.

Pontos de desenvolvimento

Régis Medeiros, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis Ceará (Abih-CE), informa que os hotéis localizados no litoral leste registram taxa de ocupação considerada “razoável”. Já no litoral oeste, Régis destaca o crescimento do kitesurf nos últimos anos, que desenvolveu uma nova cultura no Estado, com a criação de empreendimentos voltados para esse esporte. Em pesquisa realizada em 2018, a Setur destacou que 10,3% dos turistas que chegavam ao Estado tinham o esporte como um dos aspectos principais para a tomada da decisão, dos quais 70% se identificaram como praticantes de kitesurf .

“Você vai na Praia do Preá, Icaraí de Amontada, Guajiru, Flecheiras, você vê que coisas novas surgiram. E tudo isso tem se desenvolvido ao longo dos anos pelo kitesurf, que é muito procurado e tem um público de bom poder aquisitivo”, conta Régis.

Para os próximos meses, uma das apostas do setor será o incentivo ao turismo doméstico e regional, como forma de atrair os moradores próximos para conhecerem o Estado. Para Circe Jane Teles da Ponte, presidente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade da Fecomércio-CE (Cetur), esse é o caminho a ser trilhado. “Cabe-nos realçar as positividades de maneira a dar visibilidade à vocação do Estado, bem como à hospitalidade e capacitação dos profissionais e das empresas do setor.

Desde 2016, o Ceará vinha em processo de expansão no número de passageiros pagos no Estado, de acordo com dados da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac). Naquele ano, foram 5.1 milhões de passageiros, contra 7.6 milhões em 2019.

Em dezembro, o Aeroporto Regional Comandante Ariston Pessoa, em Jericoacoara voltará a receber três voos semanais da Gol, partindo de Guarulhos (SP), informa Arialdo Pinho.

Capital em desenvolvimento

Porta de entrada para a maior parte dos turistas do Estado, com mais de 7 milhões de passageiros transitando pelo Aeroporto de Fortaleza somente em 2019.

Em relação aos internacionais, a Capital do Ceará teve os voos para Portugal já retomados, mas numa frequência de dois por semana, ante os sete anteriores. Já a Air France retorna a partir de outubro, com três voos semanais para Paris. A KLM retorna em novembro, com destino para Amsterdã, ainda sem frequência confirmada. No mesmo mês, a empresa Air Europa também retoma as atividades no Estado, com dois voos semanais para Madri.

Fortaleza tem uma rede turística que varia desde ponto de acesso para outras regiões do Estado como uma cidade com opções para quem busca diferentes tipos de atividades. De acordo com Leiliane Vasconcelos, titular da Secretaria Municipal de Turismo de Fortaleza (Setfor), a cidade teve em 2019 uma situação “excelente” na perspectiva do turismo.

“Ficamos entre os destinos favoritos dos viajantes nos rankings dos principais buscadores de viagem, participamos de feiras nacionais e internacionais, recebemos importantes eventos e contávamos com uma malha aeroviária inédita até então”, ressaltada Leiliane.

Como exemplo de aspectos que agregam valor à cidade, Leiliane destaca a seleção de Fortaleza como Cidade Criativa do Design na Rede de Cidades Criativas da Unesco. Outra questão é o investimento na infraestrutura da Capital, como a requalificação da Beira-Mar, com previsão de conclusão em novembro deste ano.

No dia 26 de agosto, a Prefeitura de Fortaleza também concluiu as obras do Polo Gastronômico da Varjota, que agrega diversos empreendimentos em um só espaço. O investimento foi de R$ 13 milhões e as obras foram iniciadas em abril de 2019. Entre as ações desenvolvidas no espaço, estão a nova pavimentação, implantação de ciclofaixa e adequações que priorizam o pedestre.

Além dessas iniciativas, a titular da Setfor também comenta que está em desenvolvimento um roteiro para privilegiar o turista regional, chamado de “Fortaleza-Natal + Rota das Falésias”. “A ideia é que o turista chegue por uma das capitais e divida seu tempo para deslocar-se de carro entre uma e outra cidade, aproveitando para conhecer algumas das praias da Rota das Falésias que ficam no caminho.”

“O turismo doméstico também terá importante papel nessa retomada. Neste momento, aliás, é muito importante que o brasileiro viaje conhecendo seu próprio país. Temos muito para mostrar, somos um país riquíssimo e diversificado, mas grande parte dos brasileiros não tem condição de viajar, embora desejasse fazê-lo. Para isso, é fundamental que o Governo Federal crie estratégias para viabilizar esse turismo doméstico, facilitando o acesso ao crédito, principalmente para os pequenos e médios empresários do setor, lançando campanhas que estimulem os brasileiros a conhecerem seu próprio país”, destaca Leiliane.

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