Um dos principais diferenciais competitivos do Ceará perante outras regiões brasileiras, a rede digital do Estado possui uma série de atrativos às empresas que buscam um local com alta conectividade para realizar investimentos. Além de contar com o Cinturão Digital, a maior rede pública de banda larga do Brasil, o Ceará também possui o segundo […]

Rede digital garante conectividade em todas as regiões do Ceará

Um dos principais diferenciais competitivos do Ceará perante outras regiões brasileiras, a rede digital do Estado possui uma série de atrativos às empresas que buscam um local com alta conectividade para realizar investimentos. Além de contar com o Cinturão Digital, a maior rede pública de banda larga do Brasil, o Ceará também possui o segundo maior hub de cabos submarinos de fibra ótica do mundo, conectando a capital Fortaleza com Estados Unidos, Europa e África.

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Segundo Gildemir da Silva, doutor em economia e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), além de potencializar grandes setores, como o de turismo, a rede digital é um atrativo para “qualquer empreendimento” que venha a se instalar no Estado, posto que, atualmente, qualquer tipo de segmento produtivo precisa de conectividade. “O Cinturão Digital garante a conexão e os cabos de fibra ótica propiciam uma rápida transmissão de dados”, diz o pesquisador, que tem estudos em indústrias de rede, com foco em infraestrutura.

Gildemir cita os parques de energias renováveis, bastante presentes no Interior do Ceará, como exemplos de empreendimentos que utilizam a conectividade para monitorar suas respectivas produções. “Qualquer investidor que chega ao Ceará sabe que não ficará desatualizado perante o resto do mundo”, pontua. Para ele, a infraestrutura digital do Estado também pode garantir, nos próximos anos, que o Ceará se transforme em um grande produtor e exportador de capital humano capacitado em setores como o de tecnologia e de telecomunicações.

“O Ceará tem potencial para se tornar referência internacional na formação de profissionais voltados à rede digital. Na UFC, já temos um centro de desenvolvimento enorme, que trabalhou em parceria com a Ericsson, Microsoft e, atualmente, desenvolve tecnologias para a LG”, destaca Gildemir da Silva.

Com o desenvolvimento do capital humano, diz Gildemir, o Ceará tende a se tornar atrativo não só para investidores interessados em sua robusta rede digital, mas também às empresas que desejam se aprofundar nas tecnologias que transformaram um estado do semiárido brasileiro no mais conectado do País.

Mais de 8km de fibra ótica

Maior rede pública de banda larga do Brasil, o Cinturão Digital do Ceará (CDC) possui mais de 8 mil quilômetros (km) de cabos de fibra ótica, o que possibilita o acesso à internet por parte de todos os órgãos públicos estaduais e viabiliza o acesso da população aos serviços digitais.

Ao todo, de acordo com o Governo do Estado, 116 cidades cearenses estão conectadas. “Em 2014, tínhamos 2 mil km de cabos no Estado, com um custo médio de R$ 200,00 por megabyte por segundo (MB/s). Hoje, esse valor caiu para R$ 7,00”, destaca Adalberto Pessoa, presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice).

“Um custo menor do MB/s significa inclusão digital. Se, em 2014, muitos não tinham condições de pagar por uma internet de alta velocidade no Ceará, hoje esse valor caiu consideravelmente e se tornou acessível. Isso foi possível porque expandimos a cobertura do Cinturão Digital, inclusive através de concessões à iniciativa privada, que foi decisiva neste processo”, conta Adalberto Pessoa.

Segundo o presidente da Etice, não há dúvidas de que o Ceará possui “a maior infraestrutura de comunicação de dados do País”, o que permite projetos pioneiros como o sistema público de videomonitoramento, implementado a partir de 2018 e que, atualmente, está em funcionamento em todos os municípios cearenses com mais de 30 mil habitantes. Conforme diz, o CDC foi responsável, inclusive, por toda uma cadeia de pequenos negócios espalhados pelo Estado.

“De 2015 para cá, com a expansão do CDC, surgiram mais de 500 pequenos provedores de acesso à internet no Ceará, que empregam cerca de 4 mil pessoas e que giram, anualmente, uma receita superior a R$ 1 bilhão, gerando um ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) superior a R$ 150 milhões. Isso mostra a força da nossa rede digital”, diz Adalberto Pessoa.

Ainda de acordo com o presidente da Etice, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) apontou, em pesquisa recente, que, por conta da rede digital, 42 cidades cearenses já estão aptas a serem projetos de Cidades Digitais “Isso é mais do que toda a região Sudeste apresentou no ano passado”.

Conexão com o mundo

Além do CDC, o Ceará também possui o segundo maior hub de cabos submarinos de fibra ótica do mundo. Beneficiando-se de sua localização privilegiada, Fortaleza conta com catorze cabos e já atraiu o investimento de gigantes da tecnologia, como a Angola Cables, que edificou o seu centro de dados em uma área de 3.000 metros quadrados (m²). Segundo o Governo do Estado, a estimativa é de que a cidade receba mais quatro cabos submarinos até 2021, contabilizando 18 cabos e se consolidando como referência global.

“Cabos futuros, como os dois South Atlantic Express (SAEx1), previstos para 2021, por exemplo, conectarão Fortaleza com a África do Sul e Estados Unidos, com a extensão de 14.720 km. Outros cabos já previstos para 2020 são os dois EllaLink, com extensão de 6.200 km, ligando Fortaleza a Portugal, Cabo Verde e Guiana Francesa”, destaca o Governo do Ceará. Conforme Adalberto Pessoa, essas conexões são um diferencial que “nenhum outro estado brasileiro possui”.

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Tamanha conectividade, aponta o presidente da Etice, tende a atrair para o Estado grande empresas prestadoras de serviço de computação em nuvem, que utilizam como base de infraestrutura os chamados data centers. De acordo com ele, o Governo do Ceará já foi procurado pelas principais empresas de referência mundial do setor, como Amazon Web Services (AWS), Google, Microsoft e IBM.

“Essas empresas são atraídas por duas forças: grandes conglomerados de clientes, como é o caso de São Paulo; ou por grandes hubs de comunicação, a exemplo do Cerará. É uma vantagem para essas empresas porque, ao colocarem seus data centers próximos dos cabos de fibra ótica, poderão dar maior qualidade de serviço a seus clientes”, destaca o presidente da Etice.

Quem também acredita no potencial do Estado para se tornar um grande centro de nuvens, armazenamento de dados e hospedagem é Mauro Oliveira, professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e um dos criadores do hub de inovação Iracema Digital. “Isso poderia atrair grandes players. Temos condições”, diz. Para ele, caso os investimentos em tecnologia sigam acontecendo, é possível sonhar também com um parque tecnológico, a exemplo do Porto Digital (PE).

Banda larga para todo o Estado

Um dos grandes responsáveis por levar conexão de banda larga para o Interior do Ceará, a Brisanet, sediada no pequeno município de Pereiro, foi uma das empresas que utilizou a infraestrutura do Cinturão Digital para expandir sua rede por todo o Estado. “Passamos a usar o CDC em 2015, após vencermos a concessão, o que nos permitiu superar dificuldades que tínhamos e chegar em diversas cidades cearenses”, afirma o CEO da empresa, Roberto Nogueira.

CEO da Brisanet, Roberto Nogueira diz que, até o fim de 2021, empresa estará em todos os municípios cearenses. FOTO: Divulgação

Segundo o empresário, atualmente a Brisanet movimenta 500 gigabytes por segundo (GB/s) em um total de 47 cidades cearenses, mas, com a franquia Agility Telecom, já chega a mais de 160 municípios do Estado. “Temos mais de 220 mil clientes conectados em fibra ótica somente no Ceará”, pontua Roberto. No Interior, a Brisanet já lidera o market share entre os provedores de banda larga, desbancando empresas maiores que não utilizam o CDC.

“Com a Agility Telecom, só nos falta chegar em 20 dos 184 municípios do Ceará, mas isso é questão de tempo. Já estamos entrando em acordo com provedores para que, até o final de 2021, nossa franquia esteja em todas as cidades do Estado, levando fibra ótica para pessoas e empresas”, conta Roberto Nogueira.

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