Agricultura Irrigada como destaque do desenvolvimento econômico do Ceará

Por: Sílvio Carlos Ribeiro (Especialista TrendsCE)* | Em:
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A agricultura de sequeiro, a agricultura irrigada, a pecuária e a aquicultura, em conjunto, sustentam os empregos diretos no campo e geram em torno de R$ 5 bilhões de VBP – Valor Bruto da Produção, contribuindo ainda para o setor industrial e sendo responsável por boa parte das exportações cearenses. De acordo com o último censo realizado pelo IBGE em 2017/2018, o pessoal ocupado no setor agropecuário do Ceará é de 929 mil pessoas, que vivem em 394,3 mil propriedades em 6,9 milhões de hectares.

Pecuária

A pecuária é o mais forte setor da agricultura cearense, destacando-se a bovinocultura de leite, a avicultura, a ovinocaprinocultura, a apicultura e a suinocultura. A bovinocultura de leite destaca-se em um momento único em termos de tecnologia, mercado e geração de renda. Foi um setor que cresceu nos anos de escassez hídrica e que possui o maior VBP do setor agropecuário cearense.


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Aquicultura

A aquicultura cearense, com seus produtos de alto valor agregado, camarão e a tilápia geram renda no Interior e precisa ser fortalecido com ações que envolvam tecnologia para maior produtividade e eficiência no uso da água. A tilápia é um dos carros-chefes dos peixes de cultivo no Brasil. O Ceará possui iminente crescimento no Mar, e o setor de pesca marítima teve grande crescimento nos últimos anos, principalmente com a exportação dos pescados diversos, da lagosta e do atum, recém introduzido na economia estadual e bastante procurado por investidores de outros países, além de boas perspectivas de comercialização com a abertura do mercado europeu neste ano de 2020.

Agricultura

A agricultura de sequeiro é extremamente influenciada pelo clima, variando ano a ano ao sabor do regime de chuvas, que, normalmente, são irregulares no tempo e no espaço, como acontece de resto em todo o semiárido, no qual mais de 90% dos municípios do Estado estão inseridos.

Seus produtos principais são o milho, o feijão, a castanha de caju e a mandioca, além da tradicional cera de carnaúba. Esse setor, mesmo possuindo baixa produtividade média e sem gerar riqueza no interior, continua tendo importância para a economia do Estado, sendo imprescindível no âmbito social.

Nos últimos anos, a cultura do algodão têm se tornado interessante dando bons resultados e promete um aumento de área plantada nos próximos invernos.

Embora seja o mais recente setor da agropecuária cearense, a agricultura irrigada é o mais dinâmico, pois representa apenas 5% da área plantada total no Estado, mas responde por cerca de 50% do Valor Bruto da Produção do setor agrícola.

Expansão

É preciso aproveitar o potencial que o Estado possui como: clima favorável, localização geográfica estratégica no Oceano Atlântico que facilita a exportação, logística moderna, defesa agropecuária eficiente que permitiu o Estado possuir áreas livres de pragas e novos mercados conquistados nos últimos anos no exterior, principalmente Ásia e oriente médio.

Porém, o limitante continua sendo água para a produção. Superado esse entrave será possível mudar o número de 73 mil ha produzidos com irrigação em 2019, para 286 mil ha – estimados pela Agência Nacional de Águas – ANA como possível de expansão para irrigação no Ceará – o que demonstra um grande espaço para crescimento.

Existem também muitas possibilidades para aumentar o valor agregado neste setor introduzindo novas culturas de maior valor agregado, menor consumo de água e maior geração de empregos.

Este é o foco atual do Estado traduzido no programa de eficiência no uso da água no setor agropecuário no Estado do Ceará. Cultivos como Morango, Pimentão, Tomate, Pitaya, Cacau, Caqui, Romã, Mirtilo e até a Maçã e a Pera vêm sendo alternativas interessantes de produção nos campos irrigados cearense, pois geram renda ao produtor, empregos, com pouco uso dos recursos hídricos.

Nesta vertente, o aspecto climático é ao mesmo tempo um aliado e uma preocupação para quem quer investir na agricultura irrigada no Ceará. Excesso de chuvas, frio ou calor intenso a depender da região, podem prejudicar tanto a qualidade quanto o rendimento da produção diminuindo a rentabilidade do negócio.

Potenciais

Para fazer frente a esses riscos, uma alternativa a ser considerada é o cultivo em ambiente protegido e controlado, como é o caso de parte da produção de flores e hortaliças, principalmente na região da Ibiapaba. O cultivo protegido permite redução do efeito da sazonalidade, favorecendo uma oferta mais equilibrada das espécies cultivadas.

Acrescente-se ainda a estes benefícios, vantagens como a redução no volume utilizado de defensivos agrícolas, maior produtividade e melhor qualidade dos produtos cultivados e maior número de empregos por hectare. E essa tecnologia não se aplica somente à climas frios. Projetos exitosos são vistos nos Emirados Árabes, Jordânia e outros lugares de climas quentes, pois a tecnologia existente já resolve muitos desses gargalos.

Metodologia

Mas que critérios nós podemos utilizar para definir prioridades e políticas de incentivos para este setor? O Estado do Ceará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho – SEDET, com a equipe da Secretaria Executiva do Agronegócio, trabalha uma metodologia que avalia indicadores socioeconômicos permitindo analisar o uso da água pela irrigação, com vistas a aprimorar a tomada de decisão em relação à alocação da água em situação de escassez hídrica.

A metodologia propõe, além da definição de critérios para o uso da água no setor agropecuário, um plano de monitoramento climático da área cultivada ao longo de bacias hidrográficas e faz parte de um projeto financiado pelo Banco Mundial para dar segurança hídrica ao Estado.

É preciso trabalhar a prioridade baseada no desenvolvimento de quatro quesitos de análise para a alocação de água, onde cada quesito será responsável por agrupar um par de indicadores. Os quesitos se dividem em: segurança produtiva, segurança econômica, segurança social e segurança hídrica.

Após a definição de pesos para cada um dos quesitos, deve-se elencar as atividades agropecuárias que devam ser incentivadas para produção no Estado. Os resultados apresentam culturas de alto valor agregado com menor necessidade de água e outras estratégicas. O uso dessa metodologia possibilitará o aperfeiçoamento das políticas públicas, considerando-se, além de aspectos relacionados à oferta, aspectos econômicos, sociais e ambientais.

O Estado passou recentemente por um longo período de dificuldades climáticas e restrições hídricas. A partir de 2017 iniciou-se uma recuperação que permaneceu até 2019 e tem boas possibilidades de continuar em 2020, visto que neste ano tivemos uma precipitação média satisfatória que contribuiu para uma boa reservação hídrica e que deve garantir o fornecimento de água para a atual área irrigada das regiões produtoras. Reforçando esse cenário teremos nesse ano a chegada das águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco o que propiciará em 2021 uma nova oferta de água para crescimento de nossa área irrigada gerando emprego e renda no interior.

É um futuro promissor de desenvolvimento econômico que o nosso Estado possui para o setor agropecuário, principalmente a agricultura irrigada, bastando para isso aproveitarmos as oportunidades com inteligência, integração e trabalho.

Engenheiro Agrônomo, Doutor em Irrigação pela USP e pós-doutor em gestão de áreas irrigadas pela Universidade da Califórnia, Davis, e Secretário Executivo do Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho – SEDET

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