A pandemia do novo coronavírus exigiu reinvenção. Para nós, pessoas, e para empresas, sejam elas pequenas, médias ou grandes, que, não esqueçamos, também são feitas de gente. Estabelecimentos fecharam parcial ou totalmente, funcionários tiveram de ser demitidos — alguns foram readmitidos pelos mesmos empregadores quando os ventos sopraram a favor da retomada econômica. Os que […]

Como empreender no Ceará em meio à pandemia

Por: Caio Faheina | Em:
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A pandemia do novo coronavírus exigiu reinvenção. Para nós, pessoas, e para empresas, sejam elas pequenas, médias ou grandes, que, não esqueçamos, também são feitas de gente. Estabelecimentos fecharam parcial ou totalmente, funcionários tiveram de ser demitidos — alguns foram readmitidos pelos mesmos empregadores quando os ventos sopraram a favor da retomada econômica. Os que não conseguiram se recolocar no mercado, no entanto, potencializaram ferramentas de uso cotidiano, como as redes sociais, para empreender. Donos ou donas de negócios afetados pelo momento de crise sanitária também criaram alternativas. 

Foi o caso de Leo Gonçalves, proprietário e chef do restaurante O Mar Menino, em Fortaleza. No início de julho, ele criou uma nova marca, batizada de Bar do Mar, com a proposta de ser “mais popular”, com preços mais baixos, e totalmente online. “Eu não tenho previsão de montar ela [a loja] fisicamente, porque o custo é muito alto e talvez não seja o momento”, reconheceu. Gonçalves afirma que não demitiu nenhum dos 17 funcionários durante os últimos meses e que a nova marca nasceu para atravessar, com fôlego, o período de isolamento e restrições. “Estamos trabalhando no online, com delivery, para poder sustentar o restaurante e manter a equipe até a gente conseguir voltar”. Mesmo com restaurantes podendo abrir em horário reduzido na Capital, ele prevê o retorno somente em agosto. 

Durante uma pandemia, tudo é risco. Mas o chef acredita que a nova atividade pode vingar.

“Vimos que os negócios que surgiram e deram certo trabalhavam a saudade das pessoas, coisas que elas não têm porque não podem ou evitam sair de casa, como uma comida que lembra a praia, o sertão”, exemplificou Gonçalves.

A abertura do Bar do Mar foi durante o início da terceira fase do plano estadual, quando o funcionamento das barracas de praia foi adiado até segunda ordem.

Leo Gonçalves, chef e proprietário do restaurante O Mar Menino, abriu novo negócio em meio à pandemia
Leo Gonçalves, chef e proprietário do restaurante O Mar Menino, abriu novo negócio em meio à pandemia. FOTO: Arquivo pessoal

Segmentos ligados ao setor de serviços, como alimentação, saúde e provedores de internet, além de atividades ligadas à automação industrial e logística, devem continuar crescendo, segundo o superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no Ceará, Joaquim Cartaxo.

De acordo com ele, no momento não é possível prever se a pandemia é uma ameaça passageira ou de longo prazo. “Muitos falam e escrevem sobre um ‘novo normal’, com mudanças nos hábitos de vida, nas relações pessoais e profissionais, nos cuidados com a saúde, nos modelos e formas de consumo, mas o que podemos dizer até o momento é que algumas tendências, que já vinham em processo de crescimento, foram aceleradas, como a ampliação da cultura digital”, disse. 

Seja em momento de pandemia ou não, Cartaxo destaca que empreendedorismo envolve esforço, dedicação e conhecimento.

“O empreendedor precisa conhecer muito bem o segmento em que pretende atuar, buscar informações sobre os possíveis clientes e também sobre os concorrentes, conhecer os custos envolvidos no negócio”, orientou. “Tudo isso possibilitará uma melhor gestão da empresa. Instituições como o Sebrae, que já possuem uma expertise nesta área, podem ajudar o empreendedor a ter um caminho mais assertivo”.

Conforme levantamento do Sebrae/CE, mais de 20.885 pessoas se matricularam em cursos de Ensino à Distância (EaD) no Estado entre os meses de março e maio deste ano. Marketing Digital, Gestão Financeira, Como Vender pela Internet, Aprender a Empreender e Atendimento ao Cliente foram as capacitações mais procuradas. No mesmo período, cursos via Whatsapp formaram 21 turmas, com mais de 4.300 concludentes. As consultorias pelo mesmo aplicativo somaram 189 atendimentos.

Entre início de abril e a primeira quinzena de maio, 792 empresas receberam consultorias pelo Sebraetec, produto do Sebrae que oferece serviços tecnológicos para negócios. E somente em sete dias de maio, conforme balanço, o portal do serviço registrou mais de 31 mil usuários. Nesse intervalo, 7.840 pessoas foram orientadas pelo canal 0800.570.0800. 

Desemprego e oportunidade

No primeiro trimestre deste ano, o número de pessoas desocupadas era de 496 mil. No mesmo período de 2019, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação era 6,2% menor, com 467 mil desempregados. O quantitativo de pessoas fora do mercado formal de trabalho do trimestre mais recente (abril a maio) pode ser maior, considerando a pandemia. 

Para minimizar os efeitos desse período, foi lançada a campanha Compre do Ceará, que objetiva sensibilizar consumidores a privilegiar o consumo de bens e serviços essencialmente cearenses. Com isso, a economia do Estado pode respirar com mais tranquilidade, negócios locais podem ser mantidos e empregos, protegidos. A ação é uma parceria entre Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Fecomércio, Sebrae/CE, Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Ceará, Piauí e Maranhão (Fetrans) e Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec). 

“A gente está unido em prol de um benefício que a gente precisa nesse momento. O pós-pandemia é o que seria o grande problema pra gente. Mas estamos atravessando. O Ceará está fazendo seu dever de casa corretamente e a economia precisa ser reiniciada”, destacou o presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 16, para o lançamento da segunda fase da campanha.

“Todas as federações estão unidas. Estamos fazendo um trabalho diferente, um trabalho de cearense para o cearense. A gente precisa, nessa retomada da economia, que todos compreendam a real necessidade de adquirirmos produtos locais”, sublinhou Cavalcante.

Também presente na cerimônia, Joaquim Cartaxo divulgou números de pesquisas do Sebrae/CE no intervalo entre 25 e 30 de junho: 56% dos pequenos negócios estão funcionando em processos de adaptação; 89% dos que aumentaram o faturamento no período de crise disseram que conseguiram o lucro porque estavam inseridos em ambiente digital; e 77% dos pesquisados conhecem os protocolos sanitários necessários para a retomada da economia. “Cada real que fica no município é um emprego que fica junto”, disse Cartaxo.

“A campanha vai fortalecer a economia e os empregos do Ceará. Espero que 100% dos cearenses possam abraçar [a ação]”, adicionou o governador Camilo Santana (PT), que esteve no encontro junto com Dimas Barreira (Fetrans), Flávio Saboya (Faec) e Maurício Filizola (Fecomércio).

A campanha, segundo a coordenadora de comunicação e marketing da Fecomércio, Raquel Barros, vai estar nas ruas e nas redes sociais a partir da próxima segunda-feira, 20. Estabelecimentos com produção 100% cearense, outdoors e transportes públicos, por exemplo, estarão divulgando a ação, que ganha vozes como a do cantor Fagner, a do cantor, compositor e humorista Falcão, a do também humorista Tirulipa e a do cantor Xand Avião. “A gente utilizou argumentos que pudessem gerar uma simpatia, uma similaridade. Usamos uma linguagem do humor cearense, que chega muito perto das pessoas”, explicou Barros.

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